Cosméticos infantis

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Formular produtos cosméticos infantis exige maior cautela em relação a escolha dos ingredientes.vamos falar sobre as peculiaridades de cada fase de vida e o que é necessário para essa turminha.

BEBÊ

A pele é o  órgão de defesa, mas a pele do bebê ainda não está preparada. É mais clara, mais fina, imatura, mais facilmente sujeita a lesões, mais rica em água e mais permeável que a de um adulto.

O pH da  pele do RN é prevalentemente alcalino, devido  à presença do vernix caseoso, uma substância graxa e esbranquiçada, que recobre todo o bebê ao nascer. Dentro das 24h seguintes ao parto o pH cai  muito, tendendo a uma estabilização por volta do 1o mês de vida em valores pouco abaixo de 6, portanto ligeiramente ácido.

A pele do prematuro é de 5 a 50 vezes mais permeável a substâncias tóxicas ou irritantes que em um bebê normal e estes são 2,5 vezes mais sensíveis que adultos. É preciso ter cuidado com o que se coloca sobre a pele do bebê recém-nascido.

A descamação de sua pele é intensa até o 5o ou 6o dia, normalizando-se depois. A cor da pele das mãos e pés, pernas e braços pode apresentar variações desde o tom avermelhado até roxo-azulado, isto se deve à instabilidade de circulação periférica nos primeiros dias de vida.

Ainda existem pêlos excessivos, que também devem se desprender facilmente até a 2a semana de vida.

Os  cosméticos são os primeiros  produtos químicos apresentados ao bebê que vem ao mundo!

CRIANÇA

A partir dos 3 anos as  crianças desenvolvem rapidamente as habilidades motoras e brincar passa a ser o centro de sua vida. Veste-se sozinho, começa a desenhar e rabiscar, torna-se sociável com as demais crianças e demonstra interesse pelo sentimento alheio. Quer saber tudo sobre o mundo ao seu redor, é a época dos “porquês“.

Os hábitos de higiene são  ensinados e incorporados  como rotinas novas; escovar os dentes e pentear-se devem ser realizados com facilidade e diversão. Os cabelos mais compridos acumulam impurezas, tornam-se mais embaraçados e exigem cuidado diferenciado. Suavidade  é a palavra-chave para as formulações infantis.

Com essa intensificação de atividades, começam a se expor  mais as agressões ambientais e embora a pele já esteja desenvolvida plenamente, é importante higienizar e protegê-la constantemente da radiação solar.

Proteção solar sempre

Cerca de 75% da exposição solar acumulada durante toda a vida ocorre até os 20 anos de idade,  então é importante a proteção solar desde cedo. Iniciando o hábito com  os pequenos é muito mais fácil, eles se acostumarão rápido e vão manter o uso quando chegarem à adolescência, época de maior exposição ao sol.

Os produtos devem ser seguros para a saúde dos lactentes e devem conter apenas ingredientes não tóxicos, não alergênicos e incapazes de alterações endócrinas. Os conservantes devem ser usados em suas menores concentrações eficazes. E mais um monte de restrições. Formular produtos para crianças é tarefa para gente grande, pois os requisitos de segurança são ainda maiores dos que os necessários para produtos destinados a peles sensíveis. Quando o público é formado por crianças menores de 3 anos de idade, as regras são ainda mais rígidas e a responsabilidade atinge um patamar bem alto. A  escolha dos ingredientes exige uma análise minuciosa, investigação toxicológica profunda, um belo conhecimento de química, biologia e permeação cutânea.

Nem sempre o que é “natural” é bom

Vivemos um tempo de profunda confusão entre os consumidores, a maior parte das pessoas acredita que o que é natural sempre é melhor do que o sintético. Que grande engano!

Segundo  minha xará, Sonya Lunder,  analista sênior para o Environmental Working Group, “as palavras ‘naturais’ e ‘orgânicas’ são jogadas por aí muitas vezes sem padronização ou rigor por,” diz ela. “Isso não significa que a fórmula  contém menos ingredientes prejudiciais ou mais naturais”.

“Natural” não significa seguro, concorda F. Alan Andersen, PhD, diretor da Cosmetic Ingredient Review, grupo independente financiado pela indústria de produtos pessoais nos Estados Unidos,  que avalia a segurança dos ingredientes cosméticos e publica suas conclusões de maneira independente. Andersen disse que seu grupo muitas vezes tem dificuldade em completar as avaliações de segurança de produtos químicos derivados de plantas, pois ao contrário do que acontece com produtos obtidos sinteticamente,  onde eles conhecem a química dos compostos, nos materiais de origem vegetal as informações  não são  tão claras.

Em sua vida prática, a dermatologista Patricia Farris, MD, professora na Universidade de Tulane/USA e consultora de empresas como Neutrogena, Beiersdorf e Unilever, diz que vê muitos pacientes que têm reações de sensibilização da pele causadas pelo uso de  cosméticos classificados   como produtos naturais. Ela diz que ela se lembra de um caso particular onde uma mulher teve uma infecção grave causada por  uma levedura presente em um cosmético comprado numa loja de produtos orgânicos.

É claro que não se pode generalizar, nem tudo que é natural e orgânico e bom e seguro e nem tudo que é sintético é ruim. Essas categorias de fórmulas se alternam entre segurança e eficácia.

Então qual o caminho?

Conhecimento e experiência de vida- não há outra maneira de saber formular bons cosméticos para recém nascidos, bebês, crianças, ou qualquer outro publico. Este é o divisor de águas que separa os formuladores verdadeiros, dos, com perdão do mau uso da palavra, “cozinheiros”, que acreditam que formular cosméticos é meramente receber amostras de matérias-primas e misturar tudo para ver como fica o toque, o cheirinho e a cor. Chega de amadorismo, pessoal, está na hora de acordar para a realidade e evitar riscos desnecessários. Contrate um formulador competente e durma em paz!

 

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Sonia Corazza
Sonia Corazza é engenheira química especializada em Cosmetologia e trabalha em Pesquisa e Desenvolvimento de produtos há 39 anos. Criou produtos e linhas cosméticas inovadoras para empresas como Natura, Boticário, Avon, IFF e outras líderes mundiais. Pesquisa a flora brasileira e os efeitos dos cheiros no cérebro a mais de 15 anos, sendo autora da obra referência "Aromacologia - uma ciência de muitos cheiros", da Editora Senac.

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