Como não cair nas armadilhas da autossabotagem

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“É mais fácil perder um mau hábito hoje do que amanhã” – é a partir dessa premissa que a psicoterapeuta Maura de Albanesi elaborou três dicas importantes para quem realmente está determinado a mudar alguma coisa na vida.
 
Cada vez que nos colocamos um objetivo e desistimos ou adiamos por algum motivo, nós enfraquecemos nosso poder de realização, não damos valor ao tempo que temos e pior: fortalecemos o hábito nocivo. “Fazemos a chamada ‘autossabotagem’, ignorando os malefícios daquilo de que queremos nos livrar e, com isso, perdemos a nossa credibilidade conosco”, explica a psicoterapeuta Maura de Albanesi. “Se você realmente quer mudar algo na sua vida, tenha determinação e faça!”, enfatiza Maura. E, para isso, a psicoterapeuta dá 3 dicas importantes:
 
1. Faça uma aliança com a força da sua vontade e aquilo que você realmente quer (lembre-se de especificar bem o que você quer);
 
2. Comprometa-se com você em primeiro lugar e lembre-se da importância do planejamento, mas não fique tempo demais nessa etapa, dê o primeiro passo e comemore, afinal hoje você está mais próximo de atingir seu objetivo;
 
3. Tenha clareza do benefício que você terá ao atingir seu objetivo. Como você irá se sentir quando concretizar o seu objetivo?
 
Segundo ela, com essas três dicas, é possível pensar sobre os objetivos e se encorajar para conquistar o que se deseja.
 
O Estética in Blog conversou com Maura sobre este tema. Leia a entrevista e saiba como evitar o mecanismo da autossabotagem na sua vida:
 
Estética in Blog: A autossabotagem é relacionada à autoestima? Uma pessoa que tem baixa autoestima é mais suscetível a se autossabotar? É relacionada com o merecimento que cada um acha que tem?
Maura de Albanesi: A auto sabotagem está ligada mais às crenças que a pessoa possui do que à auto estima. Dentro dessas crenças, pode estar a crença do merecimento. Ex: A pessoa está prosperando em sua vida financeira, mas possui uma crença que ganhar muito dinheiro a impedirá de desenvolver a sua espiritualidade, entrar no Reino dos Céus… esta crença, que pode nem estar clara para a pessoa, dispara um mecanismo de sabotagem e ela para de prosperar. Nos sabotamos conforme as crenças que possuímos. No caso da auto estima, temos uma complementaridade, se a pessoa está em um processo de auto depreciação mais crenças cristalizadas com certeza o processo de sabotagem se tornará mais intenso.

Quais os mecanismos da autossabotagem? Qual o gatilho emocional para que uma pessoa acabe por destruir aquilo que lutou para conquistar?
O não-merecimento é um dos gatilhos, a necessidade de atenção, de demonstrar fragilidade é outro gatilho, relações de dependência, de medo de perder algo ou alguém se estou indo bem… Normalmente é uma carência afetiva que acaba por disparar este ou aquele gatilho.
 
Autossabotagem é diferente de falta de força de vontade? A falta de força de vontade e a lassidão são decorrentes da autossabotagem ou o oposto: a falta de vontade e foco acabam levando à autossabotagem?
Na autossabotagem, é necessária também uma força de vontade enorme para proceder a sabotagem. A falta de vontade e a lassidão são, na verdade, demonstrações externas de que algo na minha vida não está como quero. Não quero acordar de manhã, não quero exercer minhas tarefas… portanto tem algo neste meu dia que não está como quero. É diferente da sabotagem. Na arte de se sabotar usamos a falta de vontade como desculpa, mas é só um escudo. Todos essas questões acabam se interligando em algum ponto. Mas é importante ver caso a caso como esses componentes estão interagindo. Tanto a auto sabotagem quanto a falta de vontade e foco podem ser usadas para paralisar uma vida.

Há pessoas que se autossabotam para “posarem de vítimas” e conseguirem a atenção que acham que merecem?
Sim. Este é um dos gatilhos que estávamos falando. Veja, por trás da vítima existe a ação de não precisar se responsabilizar; tomar conta de suas ações e futuras consequências exige cuidado e atenção para consigo, para com o outro, é melhor optar pela sabotagem e o outro me dá atenção e cuidado.
 
A procrastinação faz parte da autossabotagem?
Na maioria das vezes, sim. A procrastinação adia a tomada de decisões, quem não decide está se boicotando e aceitando viver com as consequências da falta de decisão, mas normalmente a pessoa não fará esta relação, jogará a responsabilidade em algo fora do seu controle: as pessoas, Deus, “forças invisíveis”…
 
Em algum ponto todos nós autossabotamos os nossos projetos? Ou isso é um mecanismo que só algumas pessoas apresentam?
Em algum ponto todos nós faremos! Algumas pessoas farão disso uma tônica em suas vidas, outras farão em alguma área específica, outras apenas uma vez… Não existe um padrão. Mas acredito que todos passam por esta experiência.
 
E para finalizar, você teria algum conselho?
É necessário investir em conhecer seu mecanismo de luta e fuga para compreender a sabotagem. Isto pode parecer difícil, mas com uma simples observação de como ajo quando estou sob uma situação de estresse pode contar algo sobre isso.
Quando você está estressado, quais são os seus pensamentos, penso em não desistir, quase beirando uma teimosia e um dano físico ou penso em largar tudo. Os dois são comportamentos de auto sabotagem. Tente ver qual é a crença que está por trás desses pensamentos.  Este conhecimento e treino pode levar você a diminuir a sabotagem.
 
Fonte: Maura de Albanesi é mestranda em Psicologia e Religião pela PUCSP, Pós-Graduada em Psicoterapia Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP), Terapia Artística, Psicoterapia Transpessoal e Formação Biográfica Antroposófica, atua com o ser humano há mais de 30 anos.

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