Choque nelas

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ID-Patricia-Froes

Colaboração do aluno de graduação em Fisioterapia Luis Gonzaga de Araújo Neto, Universidade Potiguar, Natal, RN.

Atualmente grande parte do público feminino tem recorrido a métodos e técnicas da área de Fisioterapia Dermatofuncional na expectativa de obter resultados para seus problemas relacionados à saúde e estética, como é o caso do Fibro Edema Gelóide (FEG), popularmente conhecido como celulite. A atuação da Fisioterapia Dermatofuncional no FEG consiste na utilização de amplos recursos porem com poucos resultados efetivos.  Não é fácil tratar de uma patologia multifatorial como a celulite, mas todo dia novas tecnologias tem sido lançadas no mercado mundial com este objetivo.

Em meados da década de 1980, novos estudos abriram horizontes sobre o potencial terapêutico e eficácia das ondas de choque, particularmente no campo ortopédico para as doenças músculo-esqueléticas e para a cura de doenças cronicas dos tecidos moles, tais como úlceras.  Vários estudos demonstraram que os efeitos biológicos do ESW (Extracorporeal Shock Waves) são causados pela libertação de mediadores,  como o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF)  que aumenta significativamente a angiogênese e a circulação sanguínea local. Além disso, em medicina estética, ondas de choque  tem sido utilizada como tratamento para flacidez de pele e celulite.

As ondas de choque atingem a superfície do tecido cutaneo e passam através de uma barreira homogênea sem danos às demais partes, aumentando o fluxo sanguíneo no local atingido. Na etiologia da celulite ocorre a deterioração da vascular da derme, causando edema e hipóxia do tecido. Há o  adelgaçamento e esclerose dos septos fibrosos ou em alguns casos, excesso de formação de tecido fibroso. Em ambos os casos a ESW tem sua aplicabilidade.

Em geral, as ondas de choque são aplicações de impulsos mecanicos de pressão, de curta duração (5 microssegundos), alta densidade de energia (0,07 a 1,2 mJ/ m2) e baixa frequencia (1 a 15Hz). Através destes mecanismos, ela é capaz de estimular a microcirculação por meio de  uma vasodilatação decorrente da liberação de oxido nítrico. Também é capaz de executar a Mecanotransdução que se trata da  estimulação e mobilização da matriz celular. Finalmente, as ondas de choque apresentam efeitos antinflamatórios e estimulam  fatores de crescimento  e “Stem cells” (neoformação colagena, ossea e de vasos), sendo   neste caso responsável por muitas respostas positivas em um tecido isquêmico (celulite) e em flacidez tecidual.

Há dois tipos de aplicadores das ondas de choque (radial e focal), sendo o radial mais utilizado em celulite e alterações de flacidez de pele. Mas utiliza-se o modelo focalizado em Fisioterapia Dermatofucnional nos casos de ulceras e cicatrizes de queimaduras.

A literatura sobre o tema ainda é escassa, mas já existem estudos a respeito dos efeitos das ondas de choque em celulite com a média de duas aplicações por semana por 4 semanas e uma evolução bastante satisfatória.

Referências Bibliográficas:

1 – Schaden W , Thiele R , Kö l pl C , Pusch M , Nissan A , Attinger CE , et al . Shock wave therapy for acute and chronic soft tissue wounds: a feasibility study J Surg Res. 2007 ; 143 : 1 – 12

2 – Moretti B, Notarnicola A, Maggio G, Moretti L, Pascone M, Tafuri S, Patella V (2009) The management of neuropathic ulcers of the foot in diabetes by shock wave therapy. BMC Musculoskelet Disord 27:10–54.

3 – Arno A, Garcia O, Hernan I, Sancho J, Acosta A, Barret JP (2010) Extracorporeal shock waves: a new nonsurgical method to treat severe burns. Burns 36:844–849.

4 – Christ C, Brenke R , Sattler G , Siems W , Novak P , Daser A . Improvement in skin elasticity in the treatment of cellulite and connective tissue weakness by means of extracorporeal pulse activation therapy . Aesthet Surg J. 2008 ; 28 : 538 – 544.

5 – Russe-Wilflingseder, Katharina, et al. “Placebo controlled, prospectively randomized, double-blinded study for the investigation of the effectiveness and safety of the acoustic wave therapy (AWT®) for cellulite treatment.” Journal of Cosmetic and Laser Therapy 15.3 (2013): 155-162.

6- Konoblock et al.Cellulite and extracoporeal Shock wave therapy. BBC women’s Health. 2010;29 (10): 145-56.

7- Sclaudraff K-Uwe et al. Predictability of the individual clinical outcome of extracorporeal shock wave therapy for celulite. Clinical, cosmetic and investigation dermatology. 2014; 34(3): 123-34.

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