Atuação da Fisioterapia Dermato Funcional na Atenção Primária

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1969

A inserção do fisioterapeuta nos serviços de atenção primária à saúde é um processo ainda em construção, pois desde sua criação, o fisioterapeuta apresentou-se como reabilitador, voltando-se ao seu objeto de trabalho, que é tratar a doença e suas sequelas. Essa lógica de conceitualizacão, durante muito tempo, excluiu da rede básica os serviços de  fisioterapia, acarretando  uma  grande  dificuldade  de  acesso  da população  a  esse  serviço  e  impedindo  o  profissional de atuar na atenção primária (1).

Somente no ano de 1978, nove anos depois da regulamentação profissional do fisioterapeuta, a resolução n° 08/1978 e o Código de Ética Profissional de Fisioterapia, citam o termo prevenção (2). Em 1984, a legislação profissional retrocede ao colocar novamente, através do decreto 90.640/84, que o fisioterapeuta tem como atribuição a reabilitação física dos indivíduos sem, no entanto, citar qualquer atribuição destinada a prevenção e promoção da saúde (3). Com o avanço incipiente, o COFFITO reconhece como campo de atuação da Fisioterapia, a Saúde Coletiva.  Este fato ocorreu em 2009 através da publicação da resolução n°363/2009.  Isto corrobora com a imaturidade desta profissão em seu campo de atuação do SUS, repercutindo em inúmeras dificuldades para  consolidar  seu  papel  na assistência  integral,  com prioridade para promoção  e prevenção de  riscos  e  agravos  à população (4).

Embora, o Fisioterapeuta Dermato funcional tenha sua atuação historicamente construída no tratamento estético e de doenças dermatológicas, é possível atuar na promoção e manutenção da saúde, a partir de uma compreensão mais abrangente sobre os determinantes sociais do processo saúde-doença e da necessidade de uma atuação comprometida  com  conquistas  sociais. Como acontece em qualquer área da Fisioterapia, o tratamento de recuperação da disfunção do paciente sempre é realizado em conjunto com a prevenção.

Um dos principais formas de atenção primaria da Fisioterapia Dermato funcional é na prevenção ao câncer de pele e do fotoenvelhecimento. O fotoenvelhecimento cutâneo é um processo cumulativo que depende do grau de exposição solar e da pigmentação natural da epiderme. A pele envelhecida pelo sol apresenta-se amarelada, com pigmentação irregular, enrugada, atrófica, com telangiectasias e lesões pré-malignas (5). Este processo está intimamente associado com a ação de agentes de natureza física e química sobre a pele, pois essa serve como uma interface do organismo vivo com o meio ambiente (6). Em 2012, a estimativa do câncer de pele no Brasil foi de 134.170 casos, sendo 62.680 homens e 71.490 mulheres. O prognóstico desse tipo de câncer pode ser considerado bom se detectado nos estádios iniciais. Nos últimos anos, houve uma grande melhora na sobrevida dos pacientes com melanoma, principalmente devido à detecção precoce do tumor. Esta diminuição poder ter relação com as campanhas de orientação que estão acontecendo dentro do trabalho de saúde publica e de equipes de saúde.

Um programa de prevenção a saúde da pele mostra-se eficaz, sendo responsável pela educação da população, estabelecendo os princípios necessários para a prevenção do câncer e do fotoenvelhecimento da pele(7). De acordo com Piazza e Miranda (2007), o programa de prevenção primária inclui o processo de educação em saúde com conscientização do uso de FPS, bonés, chapéus, óculos que protegem dos efeitos deletérios da radiação excessiva do sol, formas simples e baratas de se prevenir contra o sol, mas que dependem da conscientização da população (8). Esta educação pode ser feita através de palestras, peças teatrais, levantamento de dados epidemiológicos, identificação de doenças dermatológicas como hanseníase, dermatites e lesões benignas e malignas da pele e orientações quanto a fotoproteção e cuidados diários com a pele.

Além disso, seria uma medida preventiva de eficaz abrangência que o SUS – Sistema Único de Saúde incorporasse uma política de prevenção ao câncer de pele, reduzindo os custos dos protetores solares, deixando acessível às classes sociais mais baixas, bem como conscientizando a população da importância de seu uso freqüente e correto, pois há estudos que comprovam que a falta conhecimento dos riscos a exposição solar e sua prevenção é o principal fator de risco as doenças de pele e ao fotoenvehecimento(9). Nesta política de prevenção esta um grande espaço de trabalho para o fisioterapeuta dermato funcional dentro de uma equipe multidisciplinar de saúde.

Referências

Ribeiro, K. S. Q. A atuação da fisioterapia na atenção primária à saúde. Fisioterapia Brasil,2002 ; 3 (5), p.311-318.

Brasil. Resolução COFFITO no. 10, de 22 de setembro de 1978. Aprova o Código de Ética Profissional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.

Brasil. Decreto nº 90.640 de 10 de Dezembro de 1984. Inclui a categoria funcional no Grupo – Outras Atividades de Nível Superior a que se refere a Lei nº 5.645, de 10 de dezembro de 1970, e dá outras providências.

Brasil. Resolução COFFITO n° 363 de 20 de maio de 2009. Reconhece a Fisioterapia em Saúde Coletiva como especialidade do profissional Fisioterapeuta e dá outras providências.

Montagner S, Costa A. Bases biomoleculares do fotoenvelhecimento. An Bras. Dermatol. July 2009;84(3):263-9.

Landau M. Exogenous factors in skin aging. Curr Probl Dermatol. 2007;35:1-13.

Anconi GL. Aplicação de peptídeos em cosméticos: Desenvolvimento de formulações, estabilidade e eficácia [Tese]. Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo, 2008.

Piazza FCP, Miranda MES. Avaliação do conhecimento dos hábitos de exposição e de proteção solar dos adolescentes do colégio de aplicação [Monografia]. Balneário Camboriú: Univali, 2007.

Meyer et al Investigação sobre a exposição solar em trabalhadores de praia em natal/RN revista Brasileira de promoção a saúde, 25(1) : 103-109, 2012

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