A terapia cognitiva comportamental na Nutrição

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A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) baseia-se no conceito de que a maneira como as pessoas pensam afeta o que elas sentem e fazem. Neste sentido, a TCC busca auxiliar na identificação de pensamentos sabotadores e responder a eles, de maneira funcional, o que leva a pessoa se sentir melhor e a se comportar de modo mais adaptativo ao seu ambiente. Sendo assim, ela modifica as crenças disfuncionais dos indivíduos com excesso de peso sobre alimentação e dietas através da reestruturação cognitiva, substituindo-as por crenças mais funcionais.

O objetivo é ensinar estratégias que auxiliam no controle de peso, reforçar a motivação com relação ao tratamento e evitar a recaída e o consequente reganho de peso, por meio de embasamentos que levem o paciente identificar os estímulos que antecedem o comportamento compulsivo. É muito importante detectar se o paciente esta preparado para iniciar o tratamento e para isso existem técnicas usadas em consultório, como por exemplo, a entrevista motivacional.

A partir da terapia cognitiva comportamental, sugere-se a técnica de auto monitoramento. Este é realizado pelo próprio paciente, por meio de registros escritos sobre sua ingestão alimentar diária, episódios de compulsão e eventos desencadeantes, úteis no sentido de auxiliar na elaboração do planejamento e ajustes terapêuticos.

Outra técnica utilizada é a de controle de estímulos. Ela é utilizada para controlar estímulos que acontecem antes do comportamento disfuncional, como compulsão alimentar ou inatividade física. São exemplos dessa técnica:

  • Programar as compras no supermercado sem a inclusão de alimentos proibidos;
  • Estimular a atividade física com medidas simples como não usar o controle remoto e caminhar ao invés de ir de carro a lugares próximos;
  • Evitar atividades associadas à ingestão alimentar em excesso, como comer em frente à televisão ou no cinema.

Além dessas técnicas, terapeuta e paciente devem identificar problemas relacionados ao excesso de peso, buscar possíveis soluções e estratégias, aplicar e testar a eficácia das estratégias no dia a dia rediscuti-las no encontro terapêutico e selecionar aquelas que possibilitam modificar o comportamento. O objetivo desta estratégia é implementar novos padrões de comportamento que auxiliem o paciente a perder e manter peso.

É importante nesse processo de suporte psicológico para mudanças de hábitos, a reestruturação cognitiva, com a identificação e correção de crenças e pensamentos disfuncionais com relação ao peso e à alimentação. Alguns exemplos de distorções cognitivas comuns em pacientes com excesso de peso incluem:

  • Abstração seletiva: consiste em prestar atenção e dar mais valor às informações que confirmem suas suposições. Por exemplo: “Ter comido este doce indica que não sou capaz de exercer controle sobre meu comportamento alimentar, que não tenho poder perante a comida”.
  • Pensamento “tudo ou nada”: consiste em pensar em termos absolutistas e extremos, como dividir os alimentos em duas categorias únicas: as comidas permitidas e as proibidas. Ingerir algo considerado proibido poderá gerar uma interpretação de fracasso, tornando qualquer tentativa de controle subsequente mais difícil: “Já saí da dieta mesmo, agora vou comer tudo que vier pela frente”.
  • Pensamento supersticioso: consiste em acreditar que há relação de causa e efeito entre eventos não contingentes. Por exemplo: “Ir ao shopping significa sair da dieta” (ABESO, 2009).

Por fim, o paciente precisa de suporte social da família, amigos, clínicos e outros que pode auxiliar no tratamento da obesidade e servir como suporte para o tratamento de perda de peso. Em alguns casos, é mais indicado o suporte de um grupo: grupos terapêuticos conduzidos por profissional da área psicológica e educacionais ou conduzidos por ex-pacientes, nutricionistas, assistentes sociais. Algumas vantagens na terapia de grupo cognitivo-comportamental: maior ocorrência de ensaios comportamentais; maior ocorrência de feedback propiciada por outros membros do grupo e não só pelo terapeuta; maior experiência com situações-problema; maior suporte para a solução.

A maioria das intervenções comportamentais para o controle de peso tem utilizado tratamentos de curto prazo (média de 12 semanas). Poucas se constituem em tratamentos superiores a seis meses. A maioria dos sujeitos retorna a seu peso de início de tratamento quando cessa os tratamentos comportamentais. A manutenção da perda de peso adquirida parece manter-se apenas com a continuidade do tratamento (ABESO, 2009).

Sobre a duração do tratamento, parece que duração do tratamento influencia na perda de peso. A terapia comportamental padrão de 40 semanas tem maior impacto sobre a perda de peso, quando avaliada seis anos após a intervenção, quando comparada à de 20 semanas de tratamento.

É muito importante a verdade entre nutricionista e paciente, para que o sucesso seja garantido.

O programa de reeducação alimentar inclui registros alimentares e de atividade física, monitoramento das situações consideradas de risco e aprendizagem de habilidades para lidar com elas, reestruturação cognitiva, treinamento de assertividade, técnicas para atingir saciedade e diminuir a ingesta, reforço da auto-eficácia e treinamento de estratégias, assim como a prevenção da recaída. Não é possível prever tempo despendido na redução de peso corporal; por essa razão, é difícil pré-estabelecer a duração do programa. As consultas, inicialmente são semanais e, na fase da manutenção do peso, mais espaçadas.

Referências: 

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