A fisioterapia dermato funcional no pós-operatório de cirurgias plásticas

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É certo que quando uma pessoa é submetida a uma cirurgia plástica é porque sua saúde está em perfeitas condições! Com a cirurgia, o corpo passa por uma série de intervenções que lesam os tecidos, principalmente cutâneo e adiposo, e é neste ponto que a fisioterapia dermato funcional exerce uma de suas principais funções: reabilitar o tecido que foi lesado.

Diferentemente dos tratamentos estéticos, que são mais dinâmicos e de certa forma procuram gerar uma “lesão controlada” para que haja a reparação e melhora do tecido íntegro, o pós-operatório requer um protocolo mais cauteloso de acordo com cada etapa do processo de recuperação, que deve ser respeitado; caso contrário, os resultados serão comprometidos.

Nos primeiros 5 dias, deve-se respeitar o processo de cicatrização e não realizar técnicas manuais sobre a área operada, inclusive drenagem linfática manual (DLM). Este período contempla a inflamação aguda além de que o colágeno está se formando e ainda é muito frágil; portanto qualquer movimento, ainda que leve, pode romper essas fibrilas e prolongar o processo de reparação, gerando uma lesão em cima de um tecido que está lesado e em cicatrização; além disso, a manipulação precoce demais pode predispor à formação de seroma. Recursos como TENS, laser de baixa intensidade e LED (vermelho e infravermelho) contribuem para analgesia e prevenção de isquemia e necrose de retalhos (Liebano et al, 2012); Nishioka et al., 2012; Pinfildi et al. 2009; Prado et al. 2009). A desobstrução ganglionar da DLM é muito bem-vinda durante os primeiros dias e deve ser realizada, em especial, na região retroclavicular, axilar e inguinal.

Entre o 6º e 15º PO, quando não houver mais presença de líquidos, pode-se iniciar o tratamento com recursos como ultra-som (Tacani et al., 2010) ou equipamentos de terapia combinada como ultra-som com corrente. São procedimentos que contribuem para acelerar o processo de reparação e prevenir as fibroses, uma das complicações mais comuns na cirurgia plástica, principalmente na lipoaspiração. Neste período, iniciam-se algumas técnicas manuais: a DLM com manobras mais suaves, como a de reabsorção do método Leduc; manobras como paupar-rolar e amassamentos bem sutis, sobretudo após o 12º PO.

Entre o 16º e 30º PO, o colágeno já está com fibras mais resistentes e, assim, é possível entrar com manobras como a de captação (DLM, método Leduc), dando continuidade ao estímulo para que ocorra a formação de neoanastomoses linfáticas e a absorção e excreção dos resíduos advindos do processo de cicatrização. Além de outras manobras mais intensas como pompagem, amassamento e rolamento, que podem ser realizadas no mesmo ou no sentido oposto à instalação da fibrose, conforme necessidade.  Lembrando que se deve respeitar sempre o limite de desconforto do paciente e o processo de reparação, que por vezes, pode preceder ou atrasar em relação ao aqui exposto. A endermologia também pode ser aplicada nesta etapa, salvo em pacientes com tendência à flacidez, em que se procura usar com cautela ou até contraindicar este recurso.

A partir do 1º mês de cirurgia, prevalece o remodelamento do colágeno, ou seja, o corpo vai buscar um equilíbrio entre sua síntese e degradação; que leva em torno de 6 a 8 meses e, em cirurgias mais extensas, pode chegar a 18 meses. O tratamento certamente não vai durar todo este tempo, mas deve ser realizado de 3 a 4 vezes por semana no PO recente e 2 a 3 vezes por semana no PO tardio, por aproximadamente 1,5 a 3 meses. Nesta fase, é dado continuidade aos recursos como DLM, técnicas manuais, ultra-som ou ultra-som combinado com corrente e é plausível introduzir outros tratamentos como radiofrequência e carboxiterapia que contribuem para tratar as fibroses, melhorar a perfusão da pele e manter os resultados da cirurgia plástica.

Ressalta-se que o tratamento pós-operatório deve ser iniciado mediante autorização do cirurgião plástico e pode variar, de 1 até 20 dias; sendo que a média fica em torno de 7 a 10 dias. A comunicação e interação com este profissional é de extrema importância para a recuperação do paciente. Infelizmente ainda há uma certa resistência por parte de alguns médicos, com relação à intervenção da fisioterapia na cirurgias plásticas; entretanto cabe ao fisioterapeuta dermato funcional conquistar seu espaço perante a classe médica, demonstrar seu conhecimento e, desta forma, adquirir respeito e confiança.

Referências

Liebano RE, Rakel B, Vance CG, Walsh DM, Sluka KA. An investigation of the development of analgesic tolerance to TENS in humans. Pain. 2011 Feb;152(2):335-42.

Nishioka MA, Pinfildi CE, Sheliga TR, Arias VE, Gomes HC, Ferreira LM. LED (660 nm) and laser (670 nm) use on skin flap viability: angiogenesis and mast cells on transition HYPERLINK “http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22207449″line. Lasers Med Sci. 2012 Sep;27(5):1045-50.

Pinfildi CE, Liebano RE, Hochman B, Enokihara MM, Lippert R, Gobbato RC, Ferreira LM. Effect of low-level laser therapy on mast cells in viability of the transverse rectus HYPERLINK “http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18785847″abdominisHYPERLINK “http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18785847” HYPERLINK “http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18785847″musculocutaneousHYPERLINK “http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18785847” flap. Photomed Laser Surg. 2009 Apr;27(2):337-43.

Prado RP, Pinfildi CE, Liebano RE, Hochman B, Ferreira LM. Effect of application site of low-level laser therapy in random HYPERLINK “http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19025409″cutaneousHYPERLINK “http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19025409” flap viability in rats. Photomed Laser Surg. 2009 Jun;27(3):411-6.

Tacani PM, Liebano RE, Pinfildi CE, Gomes HC, Arias VE, Ferreira LM. Mechanical stimulation improves survival in random-pattern skin flaps in rats. Ultrasound Med Biol. 2010 Dec;36(12):2048-56.

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