Você solidifica ou inflama?

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Em meio a muitas informações radicalizadas, embutidas e inveteradas no aprendiz, há um cuidado constante em não “quebrar esquemas” já assimilados, pois o mesmo durante toda a sua formação cognitiva e mesmo emocional construiu modelos permanentes e estruturas conceituais.
Paralelamente a isso, o discente tem uma proposição relevante presentes nessa estrutura, se foram bem ou mal ancoradas são observadas quando nos confrontamos perante elas, não com um olhar observatório, mais discernindo que nesse processo de “ancoragem” vivenciaram momentos significativos.
Se partirmos do princípio que, nosso maior desfeche deverá patentear, proteger, desentesourar e uni-los a novos conceitos sem intencionalmente obrigá-los a desarraigar daqueles já agregados.
Enganamo-nos quando insistimos a pensar que desfazer conceitos irá proporcionar um novo conceito, e ainda queremos focar, exigir que o novo seja assimilado, embutido com forças, regras e manuais falidos.
Confortamo-nos inúmeras vezes ensimesmadas, queremos até celebrar quando apenas a sala de aula está em silêncio, conseguimos ofertar o que planejamos e nos satisfazemos um breve elogio e finalizamos enganados, pois afinal o que sobra é o senso se dever cumprido.
Para que algo seja significativo ele precisa muito além de inserir idéias de forma mecânica e muitas vezes abusivas.
O padrão adotado em inúmeras universidades já não é suficiente para avaliar a satisfação dos alunos, pois adotam métodos reais em ambientes e estruturas irreais.
Algo começa a ter significado quando termina a opressão, o jugo e as regras impostas com “condições”. Um novo olhar para o ensino pode ser abordado a partir do momento em que não usamos mais a força e nem o volume das nossas vozes, as salas de aula estão repletas de certezas, o aluno prevê exatamente o que ocorrerá então seu comportamento não muda, ele segue no mesmo ritmo, frequência, sintonia e arranjos.
Tem-se observado que “os valores da profissão” estão se tornando cada vez mais difícil para serem discernidos por alunos, a universidade de Ottawa, Division of Geriatrics, The Ottawa Hospital Canadá, tem realizado pesquisas com seus alunos e tem demonstrado as dificuldades encontradas e buscado maneiras de “corrigir na vivência clínica o perfil de seus alunos”.
A taxa de resposta foi de 45,6% (255 de 559 alunos) para os quatro anos de graduação de medicina. Trinta e seis por cento dos estudantes tinha presenciado ou sido parte de uma demonstração exemplar de profissionalismo; 64% responderam que tinham testemunhado um lapso de profissionalismo.
No nível pré-estágio, os lapsos mais freqüentes envolvendo alunos: a arrogância (42,2%), deficiência (24,2%), seguido de insensibilidade cultural ou religioso (20,5%). Ao nível de treinamento, onde os alunos são expostos a situações clínicas reais, os lapsos envolvidos principalmente professores (incluindo preceptor e médico) ou outro pessoal; incluídos arrogância (55,3%), quebra de sigilo (28,3%) e insensibilidade cultural ou religiosa (26,6%); imparidade envolvida na sua maioria estudantes (25,5%). Estes resultados são analisados ​​sob a perspectiva da modelagem papel por um corpo docente e no contexto do ambiente de aprendizagem (HENDELMAN 2014).
Estudantes de medicina testemunharam um lapso de profissionalismo que envolve tanto os colegas, bem como professores e funcionários administrativos, em vários domínios. Este estudo oferece uma oportunidade única para obter insights sobre o mundo real do profissionalismo em todo o currículo na área da saúde, como visto através da lente dos próprios alunos.

professora maria ines Na província de Yunnan, no sul da China há 26 nacionalidades que vivem juntas. Cada um traz uma visão de mundo diferente, feito sob encomenda original e estilo de vida e religião diferente tais como confucionismo, taoísmo, cristianismo, catolicismo, muçulmano e algumas religiões indígenas existem nesta região. Influenciado pela diversidade cultural nesta região em particular da China, as pessoas podem ter diferentes definições do que constitui a saúde e a doença, como a doença deve ser gerida, como o cuidado deve ser expresso e um olhar diferenciado no quadro de cuidar
Utilizando o método de grupo focal permitiu aos participantes de se relacionar e reagir a experiências uns dos outros, mesmo induzidas em debate que ajudou a esclarecer seus pensamentos e sentimentos. O facilitador encorajou os participantes a falar livremente e valorizando diferentes opiniões, o que contribuiu para o desenvolvimento de um ambiente aberto e não ameaçador para a discussão, criando assim uma sinergia de grupo de conversação onde entrevistas individuais não poderiam oferecer (F 2014).
A nota musical é a mesma, portanto temos um coral que segue a melodia, tememos a casualidade, imprevistos e a contingência. Números não significam identidade! O imprevisto e o inesperado podem ocorrer desde que não haja entropia.
Insistimos em cartilhas prontas, um “evento”, provocar “incidentes”, todos intencionais com objetivos específicos podem provocar ação e reação e despertar movimentos e atitudes sem que se perca o controle da situação.
Há necessidade de nos achegarmos mais perto, o aprendiz e o “facilitador” ainda estão distante, instigar, aguçar e não apenas informar, pois esse meio de informação está saturado.
Nossos temas precisam ser revistos, pesquisar junto com o aluno, explorar esse contato de aluno-professor sentado juntos ao redor de uma mesa, se deliciando com o novo respeitando a apreciação de cada um sem perder de vista a intenção do momento sutilmente sugerindo, não impondo, mas oferecendo estrutura para que isso ocorra.
Paralelamente, trazendo um alívio e prazer ao professor, se condições forem supridas com estrutura adequada à disciplina a ser cumprida não será um dogma de fé.
Nossos desafios são dependentes da nossa perspectiva, é uma questão de olhar, o lugar onde estou me leva a ver de uma forma, se mudar por um momento de lugar, nossa óptica também será mudada!
Temos um tempo glorioso de contato com o aluno, ele espera, anseia que em sala de aula algo aconteça, um aprendizado em grupos expondo idéias e ideais, com rodízios simultâneos trocando de lugar, de parceria entre eles, posicionando-o estrategicamente no centro da atenção.
O aluno também pode ser alvo de questionamentos, entre seus companheiros de classe não o inibindo ou exagerando na “exposição” e sim promovendo um momento com situações intrigante temas escolhidos pelo educador, que ao final mereçam respostas a situações que provavelmente devam provocar opiniões diversas, sem se prender em “respostas certas” ou não, sem julgamentos certeiros, cada grupo elaborar perguntas culminando sempre que o aluno em sua profissão ele obrigatoriamente terá que tomar decisões únicas, firmes analisando se com tal decisão poderá haver prejuízos, perdas ou desgastes.
A “roda viva” pode ser um interesse peculiar, o que vamos colocar em pauta vai depender do nosso objetivo, ou seja, estou querendo estimular, desenvolver e não engessar.

O aluno gosta de perguntas prontas, fáceis de memorizar, respostas decoradas, ensaiadas e isso deixa-o atrofiado, o educador precisa ser desafiado não apenas o aluno.
O educador geme quando percebe que não convenceu e que não será lembrado! Nossos aprendizes sentem quando aquele que esta ministrando está com as rédeas nas mãos regendo novamente, mas ele vai insistir em desestimulá-lo, como um jogo de pôquer ele vai pagar pra ver as suas cartas!
Quando pressionados se sentem sem saída, desencorajados, tímidos, ou abusados e assumem o papel de assaltantes diante de nós, levando com eles à chama, vigor, a intensidade, nossos títulos e por último nos deixam cegos e limitados.
Temos diante de nós uma geração com “nome de batismo”, a geração Ys, que realiza multitarefas, é organizada, possui alto senso de valorização, foge de suas responsabilidades, é individualista, empática e habituada em comunidade (nasceu num mundo virtual). Muitas qualidades e características que não pegam bem!
Para as empresas, tem sido um desafio lidar com profissionais desta geração.
Esses, muitas vezes são imediatistas e valorizam as oportunidades de crescimento em curto prazo. As empresas para não perderem estes profissionais, acabam criando novas estratégias de reter talentos, como por exemplo: planos de aceleração de carreira, oportunidade de experiência no exterior, até novos incentivos para a permanência em programas de traines.
De acordo com Ferreira, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, citado por Rocha (2008), “Hoje as companhias têm de renovar os vínculos com o pessoal”.
Até então, as empresas não tinham muitas dificuldades em reter talentos, porém com esta nova geração eles almejam crescimento, sem esperar por muito tempo o que faz também eles mudarem de emprego com mais facilidade.
Os jovens da geração Y no geral não se apegam a tempo de casa, a tempo de experiência e sim se vão ter desafios para enfrentar. Já a Geração X, pensa mais em segurança, valorizam muito a carreira, a estabilidade.
Que nossas propostas para 2015 não sejam criar enormes bibliotecas de idéias, mas capturar com nossa experiência de geração “X” a emoção que temos de nossas gigantescas experiências pessoais e profissionais incomparáveis obtidas inúmeras vezes, com nossa mente transformada e renovada através do conhecimento e discernimento atribuídos a nós, porque somos a geração que vivenciou primeiro o “THIRST FOR KNOWLEDGE!”
Abraço caloroso a todos!

Referências:
HENDELMAN, Walter. Formation of medical student professional identity: categorizing lapses of professionalism, and the learning environment: Formation of medical student professional identity: categorizing lapses of professionalism, and the learning environment. Bmc Med Educ, Canada, p.14-139, 2014.
F, Ma. Baccalaureate nursing students’ perspectives on learning about caring in China: a qualitative descriptive study. Bmc Med Educ, China, p.414-42, 2014.
ROCHA, Márcia. Impacientes, infiéis e insubordinados. Disponível em:
http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0914/noticias/impacientes-infieise- nsubordinados-m0154779
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,EDG87165-7943-219,00-
GERACAO+Y.html.

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