Terapias por ondas de choque na esclodermia localizada

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A esclerodermia é uma doença autoimune que provoca uma fibrose do tecido conjuntivo, caracterizando-se normalmente pelo endurecimento da pele, vasos sanguíneos e órgãos internos devido ao aumento de colágeno¹. É dividida nas formas sistêmica e localizada. A forma localizada, conhecida também por morfeia, diferentemente da sistêmica, marca pelo acometimento predominantemente cutâneo, podendo atingir músculos subjacentes, ao passo que os órgãos internos, geralmente, são poupados².
Trata-se de uma doença rara, onde um dos artigos com maior casuística relata 83 casos no período de 33 anos³. Costuma-se aceitar incidência média de 2,7 casos por 100,000 habitantes. Neste estudo não se observou predileção por sexo e a média de idade dos acometidos foram de 18 anos³.
A etiologia é desconhecida, porem já foi relacionada com traumas, infecções virais, bacterianas e doenças autoimunes. A doença tem um bom prognóstico, entretanto pode resultar em deformidades e disfunções devido ao acometimento do tecido subcutâneo, músculos, ossos e sinovias, desenvolvendo uma atrofia. Porém, o uso de alguns recursos fisioterapêuticos, alteram a progressão da doença e melhoram a qualidade de vida4, com por exemplo, a terapia por ondas de choque5,4.
As ondas de choque, do ponto de vista da física, são impulsos acústicos/mecânicos de características definidas por alta intensidade de energia, seguida por rápido decréscimo chegando a pressões negativas. Este gradiente de pressão muito rápido (medido em nanossegundos) e de alta frequência causa nos tecidos um fenômeno denominado cavitação, no qual são geradas microbolhas. O impacto mecânico e a eclosão destas microbolhas promovem uma série de alterações, conforme a intensidade da força destas ondas ao atingir o tecido a ser tratado6.
As ações das ondas de choque não são somente mecânicas, mas, principalmente, causam uma série de reações fisiológicas nos tecidos com processo inflamatório/degenerativo, tais como liberação de óxido nítrico, alteração da permeabilidade das membranas celulares, aumento local de prostaglandinas fatores de regeneração), neoangiogênese e analgesia por hiperestimulação local7.
O efeito da terapia por ondas de choque na esclerodermia vem sendo estudado nos últimos anos, porém são ainda poucas as evidências científicas que comprovem a eficácia deste tratamento. No entanto, vários estudos demonstraram que os efeitos biológicos da Terapia por Ondas de Choque (TOC) são causados pela libertação de mediadores, como o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) que aumenta significativamente a angiogênese e a circulação sanguínea local, acreditando que a longo prazo a uma melhora do aspecto do tecido fibrótico conjuntivo, melhorando a flexibilidade das áreas aderidas, dando mais maleabilidade a pele e subcutâneo e melhor aparência estética, com consequente melhoria da qualidade de vida dos portadores da esclerodermia localizada5,8,9,10.
No estudo de caso que realizamos, foi verificada a melhora da textura da pele de uma paciente portadora de esclerodermia na face. Além de nítida melhora da flexibilidade, houve também uma facilitação dos movimentos realizados após a aplicação devido a melhora da distensão do tecido conjuntivo.

Referências

1. BORTOLINI, Joseane; BIRCK, Márcio; TEIXEIRA, Magda C. Atuação Fisioterapêutica na Esclerodermia: Um Estudo de Caso. Revista Contexto & Saúde, v. 3, n. 04, p. 111-112, 2013.

2. ZANCANARO, Pedro CQ et al. Esclerodermia localizada na criança: aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos. An Bras Dermatol, v. 84, n. 2, p. 161-172, 2009.

3. FILHO, JOãO MEDEIROS TAVARES et al. Expansores de tecido na esclerodermia em golpe de sabre, 2012.

4. Mebius, N., de Matos Leite, N. V., & Neto, V. D. S. (2014). Esclerodermia localizada e sua implicação na qualidade de vida. Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba. ISSN (impresso) 1517-8242 (eletrônico) 1984-4840, 16(4), 203-205.

5. Sclaudraff K-Uwe et al. Predictability of the individual clinical outcome of extracorporeal shock wave therapy for celulite. Clinical, cosmetic and investigation dermatology. 2014; 34(3): 123-34.

6. DYMAREK, Robert et al. Extracorporeal shock wave therapy as an adjunct wound treatment: a systematic review of the literature. Ostomy Wound Manage, v. 60, p. 26-39, 2014.

7. SAGGINI, R. et al. Clinical application of shock wave therapy in musculoskeletal disorders: part i. Journal of biological regulators and homeostatic agents, v. 29, n. 3, p. 533, 2015.

8. BELLOLI, L. et al. Shock wave therapy for systemic sclerosis.Rheumatology international, p. 1-2, 2013.

9. CLEMENTS, P. J. et al. Skin thickness score in systemic sclerosis: an assessment of interobserver variability in 3 independent studies. The Journal of Rheumatology, v. 20, n. 11, p. 1892-1896, 1993.

10. TINAZZI, Elisa et al. Effects of shock wave therapy in the skin of patients with progressive systemic sclerosis: a pilot study. Rheumatology international, v. 31, n. 5, p. 651-656, 2011.

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