Recursos físicos, energias e equipamentos usados na estética: a origem das coisas?

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Que a estética é uma área extremamente competitiva onde todos os anos pipocam novidades, isso ninguém duvida. O que às vezes falta é tempo ou disposição para parar e pensar: “Será que é realmente novo? Deriva de algo (tratamento/recurso) já conhecido?”

Não me esqueço de um episódio ocorrido em um dos inúmeros eventos de estética que frequentei ao longo dos anos. Uma cliente me parou e perguntou: “Vocês tem a “nova, novíssima farádica”?

Recordo-me que na hora fiquei chocada, “nova-novíssima”… Uma corrente do fim do século XIX? Em seguida, me fiz alguns questionamentos: “O que faz com que a indústria use de artifícios como descrever o que se conhece há tempos e caracteriza-lo como algo realmente novo?”. E mais, como a cliente não se questionou da veracidade dessa descrição?

Desde então passei a discutir nos cursos e treinamentos que ministro o que denomino “A ORIGEM DAS COISAS” e garanto: Todos os recursos físicos, portanto todas as formas de energia que usamos nos tratamentos estéticos já eram utilizados antes com algum objetivo terapêutico ou cirúrgico. Seja a energia na forma de fóton (luz = laser/LED ou luz pulsada), mecânica (vibração, massagem manual, massagem mecânica com vácuo e roletes, cavitação por ultrassom terapêutico, ultrassom focalizado), correntes terapêuticas (com diferentes formas de onda, frequências e largura de pulso = Corrente Aussie/Russa/Microcorrente/Alta voltagem/Polarizada, etc), radiofrequência (campo eletromagnético = diatermia por ondas curtas ou aquecimento por resistência à passagem da corrente RF resistiva= bisturi elétrico), criolipólise (crioterapia), ondas de choque (litotripisia), etc…

Em algum momento alguém para e pensa… E se? Adaptássemos o transdutor/eletrodo? Controlássemos a profundiade? Aplicassemos doses diferentes? E se juntassemos 2 ou 3 técnicas no mesmo aplicador? No mesmo equipamento? Essas técnicas não poderiam ser usadas em tratamentos estéticos? E assim surgem os novos métodos… Mas sempre de algo já conhecido, já fundamentado…

Conclusões:

Nada é realmente novo nessa área e isso tem seu lado positivo porque a maioria dos recursos físicos se sustenta em décadas de pesquisa! As adaptações das técnicas se dão pelo novo “uso pretendido”: tratamento da celulite e/ou da gordura localizada, tratamento do fotoenvelhecimento e/ou flacidez de pele, fortalecimento muscular, epilação, tonificação, enfim…

Outro ponto tem que ficar muito claro nessa história: estética é muito diferente de reabilitação! Na reabilitação temos geralmente um quadro inflamatório e se aplicarmos doses altas certamente haverá uma agudização do quadro, enquanto que na estética, temos um tecido desvitalizado, desorganizado.

Na estética o objetivo é aplicarmos uma dose alta de energia, no limite da lesão, um processo controlado/modulado, para induzir o processo de reparo e regeneração tecidual e ativar o que denomino a célula máster da estética: “o fibroblasto” que sintetiza colágeno, elastina, reticulina, fibronectina, fatores de crescimento, dentre outras proteínas que vão reestabecer o tecido, dando um aspecto mais jovial. Não um processo inflamatório clássico, com dor, calor, rubor, edema e perda de função e sim algo controlada, as vezes com leve edema, calor e rubor, mas estes sintomas são transitórios, isto é, passam em alguns minutos ou horas.

Comparo esse processo a um peelling químico: usamos ácidos para “queimar” a pele, porém de forma modulada e controlada. Deixamos o ácido agir por um tempo, o suficiente para atingir algumas camadas da epiderme e removemos, mas tempo suficiente para ativar o processo de reparo e regeneração tecidual. Com os recursos físicos fazemos algo similar. Conhecer profundamente cada modalidade de energia, a forma como ela interage com o tecido, conhecer as fazes do processo de reparo e regeneração tecidual até para saber qual intervalo é necessário entre as sessões.

Alguns exemplos: “A ORIGEM DAS COISAS”:

Radiofrequência: Diatermia por ondas curtas: os eletrodos capacitivos para aquecimento de grandes áreas foram substituídos por dois eletros anéis com profundidade controlada de 4 mm para tratamento da flacidez de pele e o eletrodo indutivo foi modificado no aplicador monopolar com profundidade controlada de 20 mm para tratamento da celulite e gordura localizada. Claro que a potência (dose) também sofreu modificações: na reabilitação são usadas doses para induzir um aquecimento tecidual em torno de 37,5 a 38,5 °C, já na estética estas temperaturas devem atingir temperaturas entre 40 e 42°C.

Terapia combinada (Ultrassom + correntes terapêuticas): onde tínhamos um transdutor menor associado às correntes temos um transdutor tripolar de alta potência para cobrir grandes áreas, uma necessidade na estética.

Muitos outros exemplos poderiam ser citados. Agora quando visualizar um equipamento de estética é só usar a imaginação e relacionar “A ORIGEM DAS COISAS”!

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