Recursos do LED para o tratamento de alopecia

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Reduzir a queda, aumentar o volume e fortalecer os cabelos é um sonho de muitos homens e mulheres. A queda de cabelo, tecnicamente conhecida por alopecia, é uma doença dermatológica comum e normalmente crônica. Afeta 50% dos homens por volta dos 50 anos e o sexo feminino não está livre, porém mais tardiamente. A fisiopatologia da alopecia não está completamente compreendida. Existem evidencias que fatores genéticos e hormonais estão envolvidos, porém, danos sofridos na haste do fio por infecções fúngicas, tinturas, alisamentos, secadores de cabelo e o próprio estresse do dia a dia tem resultado em queda precoce dos fios. Vale lembrar que, a queda de cabelo pode ser induzida por alterações hormonais durante a gravidez, enfermidades graves, dietas severas, estresse severo e alguns tipos de medicamentos. A figura 1 demostra alopecia feminina caracterizada pelo afinamento e redução dos fios, especialmente na região central, frontal e parietal.

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Figura 1. Mulher com queda de cabelo com afinamento difuso na região frontal e parietal (extraído de Ramos e Miot, 2015).

A figura 2 apresenta um comparativo por dermatoscopia de couro cabeludo, sendo A, representativo de couro cabeludo apresentando alopecia difusa, com diminuição da espessura e da densidade dos fios e B, de couro cabeludo normal.

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Figura 2. Dermatoscopia do couro cabeludo, sendo A, alopecia difusa com afinamento e redução da densidade dos fios. Observar que o fio emerge individualmente dos ósteos e B, normal, apresentando uniformidade dos fios e vários fios emergindo do mesmo ósteo (extraído de Ramos e Miot, 2015).

As alopecias podem ser cicatriciais e não cicatriciais. A alopecia cicatricial é causada por má formação, danos ou destruição do folículo piloso, assim não produzindo mais o fio de cabelo. O paciente relata porções do cabelo que se desprendem ao pentear ou lavar, de causas diversas ela se reflete no indivíduo entre 3 a 6 meses após o evento que a provocou. A alopecia não cicatricial é causada por um número de pelos na fase telógena (momento no qual o enfraquecimento da união entre a base do folículo e o fio de cabelo, produzindo assim sua queda) e de folículos pilosos na fase terminal. Existem várias causas desse tipo de alopecia, mas nesse caso o folículo do cabelo é mantido e a perda é potencialmente reversível.
As alopecias podem ser classificadas de acordo com as escalas propostas por Norwood-Hamilton, Ludwig e/ou Savin. Existem outras propostas de escalas que também podem ser usadas para classificação da calvície.

Figura 3. Escalas de classificação de calvície mais comumente utilizadas (modificado de http://www.svenson.pt).

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Dentre as opções de tratamento disponíveis, o medicamentoso é o mais comum, porém, o uso da fototerapia LED tem se destacado como modalidade de tratamento. A fototerapia LED é uma proposta de tratamento para uso isolado ou associado a medicamentos, tônicos, shampoos, dentre outros com objetivo semelhante, potencializando os resultados. Pode ser empregado para estimular o crescimento dos cabelos em ambos os sexos. Estudos sugerem que o uso da fototerapia LED, desempenha um papel influente no crescimento do folículo de cabelo, que este tratamento pode modular o processo inflamatório e melhorar a resposta imunológica a queda.
Para avaliar os efeitos da fototerapia LED, foi realizado um estudo piloto que contou com 5 voluntários (três homens e duas mulheres) que aprestavam alopecia difusa. Todos os voluntários foram avaliados antes e 30 dias após a última sessão de tratamento. As sessões foram realizadas 2 vezes por semana com intervalos de um a dois dias entre as sessões. O equipamento utilizado a plataforma de fototerapia LED/Laser ANTARES® (ANVISA: 10360320035), marca IBRAMED (Indústria Brasileira de Equipamentos Médicos EIRELI– Amparo, São Paulo, Brasil), o comprimento de onda utilizado foi 630 nm e os parâmetros selecionados seguirão as orientações do fabricante. O ANTARES permite selecionar vários comprimentos de onda em cluster ou probe.
Os resultados demonstraram uma melhora na redução de queda capilar, espessamento dos fios e estimulação de crescimento de novos fios. As figuras 4 e 5 demostram os resultados da voluntária 1, 30 anos. As figuras 6 e 7 demostram os resultados da voluntária 2, 28 anos. Ambas foram tratadas com 10 sessões de fototerapia LED, 630 nm.

Figura 4. Fotografias comparativas realizadas antes e após 10 sessões de tratamento com fototerapia LED Antares 630 nm. Voluntária 1, 30 anos.

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Figura 5. Dermatoscopia de couro cabeludo comparativas, a coleta de imagens foi realizada antes e após 10 sessões de tratamento com fototerapia LED Antares 630 nm. Voluntária 1, 30 anos.

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Estudos recentes sugerem que a fototerapia é capaz de modular a redutase 5-α, a enzima responsável pela conversão de testosterona a DTH (Di-hidrotestosterona), bem como alterar a expressão genética do VEGF (fator de crescimento do endotélio vascular) que desempenha um papel influente no crescimento do folículo de cabelo. Além disso, demonstrou-se que a fototerapia pode estimular o crescimento do cabelo por meio da modulação de processos inflamatórios e de respostas imunológicas.
Figura 6. Fotografias comparativas realizadas antes e após 10 sessões de tratamento com fototerapia LED Antares 630 nm. Voluntária 2, 28 anos.

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Figura 7. Dermatoscopia de couro cabeludo comparativas, a coleta de imagens foi realizada antes e após 10 sessões de tratamento com fototerapia LED Antares 630 nm. Voluntária 2, 28 anos.

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O uso da LEDT ofereceu um bom resultado. Os indivíduos tratados relataram satisfação com o tratamento, que é totalmente indolor. Em relação a quantidade de fios capilares, observou-se novos fios em toda a área tratada, aumento na densidade e dos fios já existentes.
Conclui-se que a plataforma de fototerapia ANTARES pode ser considerada uma terapia segura, indolor e efetiva para o tratamento da alopecia. Seu uso associado à terapia medicamentos e cosmética poderá fornecer resultados ainda melhores. Estudos com número maior de voluntários serão desenvolvidos.

Agradecimentos especiais à fisioterapeuta Stephani de Almeida pela coleta dos dados.

Leitura sugerida
1. Ramos PM, Miot HA. Female pattern hair loss: A clinical and pathophysiological review. An Bras Dermatol. 2015;90(4):529-543.
2. Jimenez JJ, Wikramanayake TC, Bergfeld W, et al. Efficacy and Safety of a Low-level Laser Device in the Treatment of Male and Female Pattern Hair Loss: A Multicenter, Randomized, Sham Device-controlled, Double-blind Study. American Journal of Clinical Dermatology. 2014;15(2):115-127.
3. Sawhney MK, Hamblin MR. Low-level light therapy (LLLT) for cosmetics and dermatology. 2014; Proc. of SPIE Vol. 8932 89320X-1.
4. Guerrero AR, Kahn MC. Alopecias. Rev. Med. Clin. Condes – 2011; 22(6) 773-781.

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