Ondas de choque em Fibrose Capsular Mamária

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Desde 2012 a cirurgia para implante de prótese mamaria é considerada a cirurgia estética mais realizada no mundo. A fibrose capsular é uma complicação comum a longo prazo após a inserção de dispositivos de silicone. Atualmente as próteses de silicone texturizadas ou de espuma de poliuretano tentam evitar que este processo seja acentuado e terminam por diminuir o número de casos desta complicação. Comparado a mais de 20 anos atrás, quando iniciei meus atendimentos nesta área, a incidência de fibrose capsular em próteses mamarias era muito maior do que presenciamos na atualidade devido a todos estes mecanismos preventivos. Mas ainda assim, encontramos casos desta complicação.
Em 2010, Vieira et al, concluíram que a maior expressão de VEGF ao redor das próteses mamarias induzidas pelos cristais de poliuretano teria a capacidade de aumentar a vascularização tissular, resultando em uma cápsula mais macia se comparada aos implantes de superfície texturizada, sinalizando uma melhor prevenção e maior qualidade de fibrose com o uso de próteses revestidas de poliuretano.
No estudo de Fischer et al, (2015) observou-se o desenvolvimento da cápsula desacelerado após uma única aplicação de ondas de choque imediatamente após a cirurgia. A cápsula apresentou-se mais fina provavelmente devido a degradação ativa do invólucro fibroso causada pelas ondas de choque, sendo acompanhada por alterações sinérgicas em proteínas pro- e anti-fibróticas (transformando β1 fator de crescimento e metaloproteinase de matriz 2, respectivamente). No mesmo estudo foram implantadas próteses de silicone em 40 animais, realizado apenas uma aplicação de ondas de choque nos parâmetros
As ondas de choque atingem a superfície do tecido cutaneo e passam através de uma barreira homogênea sem danos às demais partes, aumentando o fluxo sanguíneo no local atingido. No caso das capsulas aderidas após a colocação da prótese mamaria, o adelgaçamento dos septos fibrosos faz com que estes efeitos das ondas de choque sejam eficientes no seu relaxamento, levando a um resultado satisfatório em poucas aplicações.
Como qualquer terapia de tratamento localizado, as ondas de choque atuam com efeito de cavitação. Por se tratar de uma terapia mecânica, sua ação resulta em cavitação instável, que produz o rompimento da capsula fibrosa. Huisstede et al desde 2011, escreve uma excelente revisão a respeito dos efeitos das ondas de choque, descrevendo este mecanismo.
Portanto, uma sessão apenas de ondas de choque é capaz de desacelerar a formação da cápsula mamária (ação preventiva). Além disso, múltiplas aplicações podem degradar o tecido fibrótico e servir como tratamento da fibrose capsular no pós-operatório de próteses mamarias.

1- Huisstede et al.Cellulite and extracoporeal Shock wave therapy. BBC women’s Health. 2011;29 (10): 145-56.
2- Schaden W , Thiele R , Kö l pl C , Pusch M , Nissan A , Attinger CE , et al . Shock wave therapy for acute and chronic soft tissue wounds: a feasibility study J Surg Res. 2007 ; 143 : 1 – 12
3- Fischer et al. Multiple extracorporal shock waves therapy degrades capsular fibrosis after insertion of silicone implants. Ultrasound Medicine and Biology.2015; 41(3): 781-89

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