Óleos de camomila e gerânio no alívio da ansiedade

Análise comparativa dos óleos essencias de camomila-romana (anthemis nobilis) e gerânio (pelargonium graveolens) no alívio da ansiedade: revisão baseada em evidência.

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Kenia Machado Johner – Acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Estética e Cosmética da ULBRA – Campus Carazinho. Carazinho. RS. E-mail: keniajohner@hotmail.com

Anielle de Vargas – Orientadora. Fisioterapeuta. Graduada pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Pós-graduada em Fisioterapia Neuro-funcional pela Universidade Tuiuti do Paraná. Pós-graduada em Fisioterapia Dermato-funcional pelo ISEPE/Passo Fundo. Docente e Coordenadora do Curso Superior Tecnológico em Estética e Cosmética da ULBRA – Campus Carazinho. Carazinho. RS. E-mail: ani_anielle@yahoo.com

RESUMO:

Este estudo teve como objetivo verificar a eficácia da aromaterapia na diminuição de níveis de estresse e ansiedade (traço e estado) de trabalhadores submetidos a situações de estresse em uma Universidade. Participaram do estudo 4 sujeitos, com idade entre 20 e 55 anos, que foram divididos em dois grupos: grupo a utilizar o roll-on  com óleo essencial(OE)de Camomila-romana (GRI) e grupo a utilizar o roll-on com OE de Gerânio (GRII). Os sujeitos foram avaliados quanto a níveis de estresse e de ansiedade antes e após o período de intervenção pelo Inventário de Ansiedade Traço e Estado (IDATE). O tratamento de aromaterapia consistiu em duas aplicações diárias do roll-on nas regiões dos pulsos, da testa, atrás das orelhas e na parte posterior do pescoço. O grupo GRI apresentou redução significativa dos níveis de estresse e de ansiedade (36,6 %) e o grupo GRII apresentou menor redução dos níveis de estresse e de ansiedade (24,8%). A aromaterapia mostrou–se eficaz na redução dos níveis de estresse e de ansiedade em trabalhadores. No entanto, ainda são necessários mais estudos para identificar as causas dos níveis medidos e, também, os mecanismos de ação dos óleos essenciais em sua redução.

Palavras-chave: Aromaterapia. Terapias Complementares. Ansiedade. Estresse.

1 INTRODUÇÃO

No cenário mundial atual, o uso das terapias complementares tem ganhado evidência, tanto nos países ocidentais desenvolvidos, como nos países pobres e em desenvolvimento (TOVEY et al apud GNATTA, 2011) e, principalmente, desde a década de 1970, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) determinou a Instituição das Medicinas Alternativas como um instrumento válido e significante, sobretudo para a promoção da saúde às populações mais carentes (IGNATTI, 1993).

No Brasil, o uso de algumas dessas terapias é adequado ao Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Portaria nº 971, a qual incentiva e regulamenta a adoção dessas técnicas nas unidades de atendimento dos Estados, Municípios e Distrito Federal (DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO. 2006; 84, p.20-25).

O tecnólogo em Estética e Cosmética é um profissional que tem sua formação composta pelas bases do princípio holístico, além de ser um profissional que estabelece vínculos com os pacientes, estando apto a esclarecer e orientá-los a respeito do uso dessas técnicas terapêuticas.

Além disso, o profissional de estética, hoje, atua de forma relevante na área da saúde preventiva e, consequentemente, o curso superior de Tecnologia deve prepará-lo de modo a possibilitar uma formação ampla, permitindo um desempenho com habilidades e conhecimento técnico- científico, revestida de capacidade intelectual, reflexiva e crítica, tornando possível a inserção do tecnólogo em Estética nos espaços profissionais na área da saúde (CARVALHO, 2006).

As Terapias Complementares incluem a Aromaterapia, a qual pode ser definida como o uso terapêutico dos óleos essenciais (OE), extraídos das plantas aromáticas (BERWICK, 2002).

O OE é um óleo natural, com odor distinto, segregado pelas glândulas de plantas aromáticas, obtido por processo físico e estrutura química formada por carbono, hidrogênio e oxigênio, dando origem a complexa mistura de substâncias, que podem chegar a várias centenas delas, havendo predominância de uma a três substâncias, as quais caracterizam a espécie vegetal em questão. Essas substâncias apresentam estruturas diversas como ácidos carboxílicos, alcoóis, aldeídos, cetonas, ésteres, fenóis, hidrocarbonetos, dentre outras, cada qual com sua característica aromática e ação bioquímica (WOLFFENBÜTTEL, 2007).

Os OE são extraídos das plantas aromáticas pelo processo de destilação ou prensagem de partes desses vegetais, como flores, folhas, sementes, frutos ou raízes, e diluídos em diversas concentrações que dependem da intenção do uso (ROSE, 1995).

Estas substâncias podem atuar de diversas maneiras no organismo e podem ser aplicadas diretamente na pele ou inaladas. Quando atuam através do olfato, as moléculas dos óleos são absorvidas pelos nervos olfativos, os quais têm ligação direta com o sistema nervoso central e levam o estímulo ao sistema límbico, sendo este o responsável pelos sentimentos, memórias, impulsos e emoções (TISSERAND, 1993).

Ainda, conforme o autor supracitado, quando a atuação é via cutânea, as moléculas são absorvidas e caem na circulação sanguínea, sendo transportadas para os tecidos e órgãos do corpo. Por fim, quando ingeridos, os OE são absorvidos pelos intestinos e levados aos diversos tecidos corporais.

Atualmente, o estresse é um dos problemas mais comuns encontrados na vida social, podendo se manifestar em qualquer idade. De acordo com Andrade (1998), a ansiedade é um estado emocional que comporta, tanto componentes psicológicos, como fisiológicos, que compõem o conjunto das diferentes experiências humanas e é responsável por estimular desempenho. Ela passa a ser patológica quando é desproporcional à situação que a desencadeia, ou quando não existe um objeto específico ao qual se direcione.

O termo ansiedade engloba sentimentos de medo, insegurança, apreensão e alteração dos estados de vigília ou alerta. A ansiedade pode se apresentar de formas distintas como, por exemplo, a ansiedade enquanto estado ou enquanto traço. A ansiedade-traço refere-se às diferenças individuais relativamente estáveis, de propensão ou de tendência do indivíduo para vivenciar a ansiedade. Já a ansiedade-estado é uma condição transitória de tensão diante de uma circunstância percebida como ameaçadora, sem identificar-se o objeto de perigo, ou seja, é simbólica, inespecífica e antecipada. (SPIELBERGER, 1970).

No que se refere a estresse e a ansiedade, estudos mostraram a utilidade da Aromaterapia, obtendo redução dos níveis de ansiedade e de estresse, após terapias com OE em diversos grupos sociais (GNATTA, 2011; LYRA, 2010).

Tais pesquisas apresentam-se de extrema importância, tendo em vista que a ansiedade está associada a sintomas como taquicardia, tontura, dor de cabeça, dores musculares, formigamento, suor, além de insônia, tensão, irritabilidade e angústia.

A presença e a intensidade desses sinais podem trazer consequências prejudiciais para as condições de vida e de saúde da população em geral, uma vez que níveis elevados de ansiedade podem provocar percepções negativas quanto às habilidades motoras e intelectuais do indivíduo. Isso, por sua vez, interfere na atenção seletiva e na codificação de informações na memória, bloqueando a compreensão e o raciocínio (OLIVEIRA, 2006).

Para avaliar o grau de ansiedade de cada indivíduo, é essencial o uso de instrumentos fidedignos. Para esse estudo os autores usaram uma escala denominada Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE), já validada no Brasil, que se baseia em afirmações auto-avaliativas com finalidade de mensurar o nível de ansiedade dos indivíduos.

Utilizando-se desta escala e da Aromaterapia é que se procurou atingir o objetivo deste estudo. Para isso, este estudo propôs como intervenção o emprego da Aromaterapia, através da utilização tópica de OE de Camomila-romana ou Gerânio.

De acordo com a literatura sobre Aromaterapia, estes dois OE possuem propriedades sedativas, mesmo que cada um deles aja de forma sutilmente distinta no sistema límbico.

Worwood (1995), Corazza (2002), Silva (2001) e Berwick (2002) citam que as propriedades terapêuticas de Anthemis nobilis “Camomila- romana” são bem conhecidas há muito tempo. Ensaios farmacológicos com capítulos de Camomila-romana mostram atividades analgésica, sedativa, relaxante e antidepressiva.

As propriedades medicinais popularmente descritas sobre o OE de Gerânio são: ação analgésica, regulador das hipersecreções andróginas e estrógenas, diurético, hemostático, repelente de inseto, cicatrizante, indicado para menopausa, TPM, acne, entre outras. Também foram atribuídas ações psicológicas e emocionais como relaxante, porém reanimador, aliviando a tensão nervosa, angústia e depressão. Estas propriedades são importantes para justificar o seu uso na Aromaterapia (SILVA, 2001; CORAZZA, 2002; ULRICH, 2004). 

Desta forma, a pesquisa teve como objetivo comparar a eficácia dos OE de Camomila-romana (Anthemis nobilis) e Gerânio (Pelargonium graveolens), no alívio da ansiedade, através de revisão baseada em evidência. Também, procurou verificar a influência da Aromaterapia nos níveis de estresse e de ansiedade e realizar uma breve revisão da literatura, com objetivo de fornecer, aos profissionais da área da saúde, informações a respeito da Aromaterapia e proporcionar maior conforto e bemestar aos voluntários da pesquisa.

2 METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de campo quase-experimental, de caráter quantitativo e qualitativo, com amostragem estratificada e longitudinal, realizado com funcionárias da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), no campus da cidade de Carazinho, no estado do Rio Grande do Sul.

A coleta de dados foi realizada entre os dias 29/10/14 e 03/11/2014, em que foram utilizados os seguintes métodos: aplicação de Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE), antes e após a utilização da Aromaterapia, e relato das participantes (frente aos resultados obtidos após o término do estudo). O relato serviu como meio para a análise dos resultados, que aconteceu através da avaliação dos escores de ansiedade traço/estado e transcrição dos relatos gravados.

Para participarem da pesquisa, os indivíduos deveriam atender aos seguintes critérios de inclusão: a) ser maior de 18 anos; b) ser do gênero feminino; c) ser funcionário da empresa há pelo menos seis meses; d)aceitar participar da pesquisa, usando o roll-on contendo OE pelo período e frequência propostos pelo estudo; e) responder o IDATE-traço e estado, e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Foram considerados como critérios de exclusão: a) o funcionário entrar em férias ou licença médica no período do estudo; b) gravidez; c) epilepsia; d) uso de medicamentos psiquiátricos ou de outros tratamentos para estresse ou ansiedade; e) apresentar hipersensibilidade aos OE de gerânio ou Camomila- romana.

Os indivíduos que aceitaram participar, após terem conhecimento do objetivo e do método da pesquisa, assinaram o TCLE e foram sorteados, aleatoriamente, para comporem um dos dois grupos: grupo a receber roll-on contendo óleo vegetal de semente de uva enriquecido com OE de Camomila- romana; e grupo a receber roll-on contendo óleo vegetal de semente de uva, enriquecido com OE de Gerânio. Os grupos foram denominados GRI e GRII, respectivamente, pelos pesquisadores, a fim de facilitar o cegamento do estudo. A nenhum dos participantes foi revelado qual OE estava usando.

Após a randomização, cada um dos participantes respondeu o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE). Esta escala é composta por duas subescalas de autoavaliação distintas: IDATE-traço, capaz de avaliar as diferenças individuais que são relativamente estáveis na propensão à ansiedade, ou seja, o modo como cada pessoa reage às situações consideradas ameaçadoras; IDATE-estado, que se refere a um estado emocional ou uma condição do organismo marcada por sentimentos de tensão e apreensão. Assim, esses escores são passíveis de variações, dependendo do significado que determinada situação ameaçadora tem para um indivíduo.

As duas subescalas são constituídas por 20 afirmações, cuja intensidade de respostas varia de 1 a 4 pontos, e a somatória classifica o indivíduo, de acordo com seu escore de ansiedade, da seguinte maneira: baixo (de 20 a 34 pontos), moderado (35 a 49), elevado (50 a 64) e muito elevado (65 a 80), que se aplica tanto a escala traço como a estado. Cada participante recebeu um roll-on aromático contendo 10 ml de óleo vegetal de semente de uva enriquecido com 0,2% de OE de Camomila-romana ou Gerânio, de acordo com o grupo em que estava incluído.

Os indivíduos foram instruídos a passar o roll-on nas regiões dos pulsos, da testa, atrás das orelhas e na parte posterior do pescoço, com movimentos suaves de vai e vem, duas vezes ao dia – ao acordar e antes de deitar, durante 10 dias consecutivos. O IDATE foi aplicado novamente, após completar 10 dias ininterruptos de uso do roll-on aromático.

Após a realização da pesquisa os dados foram discutidos e mensurados através de uma análise descritiva, utilizando do processo etnográfico os quais algumas falas advindas dos relatos foram utilizadas para contextualizar os resultados e discussão do presente trabalho. Conforme Gil (1999), a etnografia baseia-se na observação direta do comportamento e do desenvolvimento humanos – individual e grupal – e na produção de uma descrição escrita do resultado da observação, mantendo uma dimensão ampla e compreensiva dos fenômenos tratados em seu enfoque cultural.

3 Análise dos Dados e Discussão dos Resultados

Os resultados estão embasados nas referências bibliográficas encontradas e no levantamento dos dados mais significativos. Para elucidação dos resultados, as pacientes foram nominadas aleatoriamente de: Grupo I (GRI) – paciente 1 (P1), paciente 2 (P2) e Grupo II (GRII) – paciente 3 (P3) e paciente 4 (P4).

As respostas dos questionários aplicados aos indivíduos antes e depois da utilização dos roll-ons foram quantificadas e interpretadas, as quais se atribuiu a pontuação correspondente a resposta dada para cada uma das perguntas. Os escores para as perguntas de caráter positivo foram invertidos, ou seja, se o paciente respondeu 4, atribuiu-se valor 1 na codificação; se respondeu 3, atribuiu-se valor 2; se respondeu 2, atribuiu-se valor 3; e se respondeu 1, atribuiu-se valor 4. Para o IDATE-estado, as perguntas negativas são:3, 4,6,7,9,12,13,14,17,18; e as positivas: 1,2,5,8,10,11,15,16,19,20. E para o IDATE-traço, as perguntas negativas são: 2, 3, 4, 5, 8, 9, 11, 12, 14, 15, 17, 18, 20; e as positivas: 1, 6, 7, 10, 13, 16,19.

Os escores iniciais e finais do IDATE-traço e IDATE-estado de cada indivíduo participante foram calculados para obtenção da média aritmética de cada um deles.

Os dados obtidos foram digitados e organizados em planilhas do Programa Microsoft Office Excel 2007, para posterior construção do gráfico para análise dos resultados com um todo.

Os resultados serão demonstrados no gráfico a seguir:

Gráfico 1 – Avaliação dos Escores

Após a utilização consecutiva dos 10 dias dos roll-ons associados ao OE de Camomila-romana e de Gerânio, pela análise da diferença das médias dos escores do IDATE, houve redução das notas dos dois grupos, e o GRI (que utilizou o OE de Camomila-romana) foi o que apresentou maior diminuição das notas (com uma diminuição média de 36,6%), seguido pelo GRII, que utilizou o Gerânio (com uma queda de 24,8%).

Dentre os indivíduos participantes da pesquisa, de acordo com os pontos de corte adotados, no GRI, os quais utilizaram roll-on enriquecido com OE Camomila-romana, o individuo P1, inicialmente, encontrava-se com níveis de estresse elevados e, após a utilização do roll-on contendo OE de Camomila- romana, encontra-se no estado moderado, reduzindo em 24,7% o estresse apresentado. O indivíduo denominado P2 conserva-se na mesma classificação em nível de estresse moderado, embora tenha diminuído em 11,9% o escore.

Também, através dos relatos dos pacientes, podem-se perceber os benefícios que o uso da Aromaterapia proporcionou-lhes, dentre eles: sensação de relaxamento, tranquilidade, sono mais tranquilo, diminuição da dor nos membros inferiores e mais disposição.

Os pacientes do GRI foram questionados sobre como se sentiram após o término da utilização dos roll-ons, através da seguinte pergunta: “Como você se sente após o término da utilização da Aromaterapia?” Abaixo os relatos das pacientes do GRI:

“Senti uma diferença grande, comecei a me sentir bem, mais calma, uma sensação de alivio, acalmou um pouco a ansiedade e comecei a dormir melhor. Nesse meio tempo contei para a minha mãe que estava fazendo, ela ficou interessada e até emprestei para ela fazer um “teste”, ela usou e aprovou, também se sentiu mais calma e relaxada. Pretendo continuar usando…” (P1) 

Senti um bem-estar, e principalmente à noite após o banho, usei antes de dormir é como um sedativo melhorei minha ansiedade, sentindo-me mais calma, relaxada…” (P2).

Para Sanches e Silva (2012), a Aromaterapia possui a função de proporcionar alívio e relaxamento, potencializando a fisiologia e a química do corpo. Isso se reflete nos relatos das pacientes tratadas com OE de Camomila-romana. Os OE possuem a capacidade de promover relaxamento e sedação por isso são muito usados nos casos de ansiedade e estresse (HOARE, 2010).

No GRII, em que os participantes fizeram uso do roll-on contendo OE de Gerânio, P3 mantém-se no nível baixo de estresse (com diferença de 10% entre escore inicial e final) e P4 passou do nível moderado para o baixo, reduzindo em 14,8%.

Para os pacientes do GRII, foi realizado o mesmo questionamento feito ao GRI e os pacientes relataram:

“Usei 2 vezes ao dia durante 07 dias, me senti muito apática e lenta,  resolvi usar 1 vez ao dia só a noite, me senti bem e dormi melhor. Tenho dor nos pés decorrente de artrite,  passei o óleo e senti melhora nas dores” (P3).

Percebi uma maior disposição e iniciativa,  atividades que eu estava  protelando consegui colocar em ação. Por outro lado, me senti mais tranquila emocionalmente,  não agindo com impulsividade diante de situações estressantes” (P4).

Através dos relatos foi possível verificar que, em ambos, a Aromaterapia proporcionou relaxamento, bem-estar e tranquilidade, tanto com o uso do OE de Camomila-romana, quanto com o uso do OE de Gerânio.

Price (2002) cita que a propriedade equilibrante do Gerânio suaviza o estresse, isso porque é capaz de aliviar a depressão e elevar a mente. Representa conforto e maturidade, alegra e fortalece a alma para enfrentar os momentos difíceis de perda, oferece conforto e baixa ansiedade, e exerce a função similar do OE de Lavanda.

Ainda, conforme autor supracitado, os OE, com as propriedades de promoverem o relaxamento e a sedação, auxiliam muito no tratamento de casos de ansiedade, estresse e depressão. Quando o paciente está em um nível elevado de estresse e depressão, a melhor escolha é optar por um OE que tenha ação de sedação. Dentre os mais usados encontramos os OE de Bergamota (Citrus bergamia), Camomila-romana (Anthemis nobilis), Gerânio (Pelargonium graveolens), Lavanda (Lavandula angustifolia), Limão (Citrus limon), Melissa (Melissa officinalis) e Sândalo (Santalum album).

Os OE, na Aromaterapia, possuem duas trajetórias de ação no corpo, correlacionadas com duas formas diferentes de aplicação: a) inalação direta– via principal em que os constituintes dos OE penetram através das fossas nasais (podendo chegar ao pulmão), sendo percepcionados pelos receptores dos odores, localizados nas células das mucosas nasais e as moléculas absorvidas atingem o sistema límbico do cérebro, exercendo efeito sobre as emoções; b) aplicação tópica – via de absorção feita pela pele quando ocorre a aplicação de misturas de óleos aromatizados, atingindo a corrente sanguínea, os tecidos e órgãos em geral, designadamente o cérebro (PRICE, 2002).

A ação da Aromaterapia sobre a diminuição da ansiedade está ancorada, mas não é totalmente elucidada, na integração dos conhecimentos da neuroanatomia, neurofisiologia, e da anatomia e fisiologia dos órgãos sensoriais, especialmente do olfato e do tato. A amígdala possui conexões neuronais tanto com o neocórtex, quanto com estruturas límbicas profundas. Dessa forma, é responsável pelo matiz afetivo, emocional e motivacional das situações potencialmente perigosas, que expõem o ser humano às experiências ansiogênicas. Por sua vez, o sistema olfativo recebe os estímulos dos óleos essenciais, ocupando sítios olfativos específicos no epitélio respiratório e desencadeia inúmeras reações químicas, que geram impulsos nervosos, os quais se destinam às áreas corticais e subcorticais do Sistema Nervoso Central (SNC) (DOMINGO, 2013).

A maior efetividade do OE de Camomila-romana, ao final do estudo, pode ser atribuída a efeitos descritos na literatura. Para Hoare (2010); Maluf (2008) e Lavabre (2005), o OE de Camomila–romana possui propriedades reconfortantes e calmantes, além de dar uma sensação de bem estar, sendo particularmente útil para os problemas relacionados ao estresse.

Para Secretas (2009), a Camomila-romana é calmante do sistema nervoso central, trabalha para relaxar a tensão nervosa, diminui a pressão causada pelo estresse emocional e tensão mental. Ainda, conforme a autora, a Camomila-romana traz leveza, suavidade, gentileza e é especialmente indicada para dispersar raiva, frustração e irritação.

Os desempenhos atingidos pelo OE de Gerânio podem estar relacionados à sua forte intensidade aromática, nem sempre apreciada pela maioria das pessoas, sobretudo porque o OE apresenta notas olfativas que não fazem parte do repertório olfativo comum. De acordo com Rose (1995), Tisserand (1993), Silva (2001) e Price (2002), a principal característica terapêutica desse OE é a de regulador de estados de mudanças de humor e para casos em que há necessidade de equilíbrio por confusão mental e estresse – sintomas estes presentes em casos de ansiedade elevada que, no caso deste estudo, não caracterizam o perfil dos participantes.

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Verificou-se que houve uma maior eficácia do OE de Camomila-romana, visto que o grupo que fez uso do OE de Gerânio terminou o estudo com uma diminuição um pouco menor da média do escore obtido através do instrumento de avaliação.

Os resultados obtidos com o uso do OE de Camomila-romana reforçam as referências bibliográficas da Aromaterapia sobre o uso e finalidade deste OE. Novos trabalhos voltados a uma amostra previamente selecionada, avaliada como ansiosa, devem ser realizados, além de estudos que busquem avaliar melhor a efetividade do OE de Gerânio. Ademais, pesquisas sobre variáveis como via de aplicação, frequência e dosagem dos óleos essenciais ainda devem ser desenvolvidas.

Os resultados deste estudo podem, ainda, não ter assumido um significado relevante em razão do tamanho reduzido da amostra e, também, porque o estudo não foi aplicado em um grupo altamente estressado em sua totalidade, pois apresentou, em geral, um escore Moderado, segundo o IDATE inicial. Portanto, poderia ter sido feita uma pré-seleção dos escores dos indivíduos, consentindo que participassem da pesquisa somente indivíduos com um nível de ansiedade elevado ou muito elevado.

Aponta-se, também, para a importância da aplicação de outros métodos que indiquem, indiretamente, a diminuição da ansiedade, comparando parâmetros fisiológicos, tais como níveis sanguíneos de cortisol.

Em suma, esta pesquisa atingiu o objetivo proposto e contribuiu para a construção de conhecimentos dentro das práticas complementares em saúde. Contudo, ressalta-se que a Aromaterapia apresenta inúmeras variáveis ainda não conhecidas, que abrangem não somente a forma de aplicação, mas também a frequência e duração do tratamento.

REFERÊNCIAS

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