O enigma que envolve o subtom de pele

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Quem nunca viu, vive a procurar e quem já viu não consegue identificar…parece um enigma. Um mistério desses que nem Sherlock Holmes poderia solucionar, e no melhor estilo decifra-me ou te devoro temos o sub tom de pele.
Esse tal sub tom é aquele que tira o sono de muitos micropigmentadores na hora de escolher o pigmento certo para a sua cliente, pois em geral os professores se gabam de identificar cores muitas das vezes inexistentes e ate incoerentes. São verdes, azuis, vermelhos e violáceos sem fim. E ainda afirmam por aí que o sub tom define o resultado de uma micropigmentação. Horas como pode então ter tanta sobrancelha azul em peles quentes?
Este texto que escrevo não é para ir contra nenhum professor ou escola ou ainda quem quer que se sinta prejudicado, mas espero que sirva de alerta aos profissionais em geral para que possamos pensar um pouco mais com lucidez e calma sobre um assunto que deveria ser desmistificado desde o início lá no curso básico…
O que dá cor a nossa pele? Todos vamos responder a melanina é lógico!
Mas será mesmo que somente a melanina é capaz de dar cor a nossa pele, somente ela pode definir a cor que vemos e ainda existe a tal reação entre melanina e o pigmento exógeno que nós implantamos com a Micropigmentação? Existe alguma reação química entre a melanina e o pigmento?
Vejamos agora que a cor da pele é um resultado multi fatorial, e sim a cor, ela é fornecida pela melanina o que nos garante a separação e classificação na escala de Fitzpatrick, onde as peles mais claras são chamadas de fototipos baixos e as mais escuras de fototipos altos. Essa escala ordinariamente ia de I a V e hoje temos de I a VI sendo o I a pele mais clara e VI a mais escura que conhecemos. Bom, mas até agora estamos falando da cor visível em nossa pele, a cor óbvia, que nos separa inclusive por raças, a mais aparente, quando na verdade esse tal de sub tom o nome já nos diz, sub ou seja por baixo, ele na verdade estaria oculto como um reflexo que ajudasse a definir no nosso caso a temperatura da nossa cor, se quente ou fria.
Eu não discordo da presença deste sub tom, mas discordo completamente que ele seja fator primordial para o sucesso de nosso trabalho! Acompanhe comigo:
A coloração de uma pele normal é definida pela quantidade e qualidade de Melanina presente na pele, porém a cor revelada aos nossos olhos será um efeito óptico da Física da luz. Teremos como fatores normais a dispersão da luz nas diferentes camadas da pele, pequenas alterações vasculares e deposito de alguns pigmentos como os carotenos. Aí já observamos que essa cor até então era oferecida apenas pela Melanina começa a sofrer interferências consideradas até normais, mas não menos capazes de interferir.
O chamado sub tom de pele, este se torna mais complexo e cada vez menos confiável, a medida que não conseguimos defini-lo com clareza e ainda este sub tom, ele sofrerá uma infinidade de interferências que tornará impossível uma aferição exata de sua cor reflexa. E mesmo que possamos visualizar essa cor do reflexo, não há garantia ALGUMA de que seja uma cor permanente, podendo ser um estado transitório e que aliado a melanina em nada poderia interferir no caso de fototipos baixos, devido a quantidade pequena dessa melanina presente.

Em estados patológicos por exemplo observaremos alguns reflexos que nos levarão ao erro fácil, por exemplo stress pode oferecer lividez ou vermelhidão a pele, distúrbios hematológicos, doenças hepáticas revelam um reflexo de cor esverdeado e nos levara a classificar uma pessoa como tendo a pele fria e a Hipertensão pode nos fazer acreditar em peles quentes. Doenças respiratórias crônicas vão revelar reflexos azulados ou violáceos, patologias dermatológicas vão interferir em nosso julgamento e tantas outras…ficaria aqui por horas relacionando inúmeras patologias que vão alterar nosso julgamento e não são lembradas por aqueles que defendem o sub tom de pele. Aí temos a história de querer ver aréolas mamárias, gengivas e apertões no braço que nos levam a mais erros que acertos, pois pense se a sua cliente morre de vergonha da flacidez dos seios ou não depilou a aréola e é obrigada a mostrar isso…morro de vergonha disso. Imagine que a fumante terá a cor das gengivas alterada, a mulher que já amamentou pode ter hiperpigmentado as aréolas. Vamos pensar mais um pouco? Como aconteceria a mistura da cor deste sub tom que não conseguimos classificar com a cor do pigmento que não conseguimos determinar? Frio e quente nessa hora são tudo ou nada. Investir em um curso faz toda diferença nessa hora, estudar, perguntar ao professor questionar e buscar cada vez mais vai garantir um melhor resultado e não uma fórmula mágica, não uma invenção sem fundamentação científica.
Não há a interação química entre pigmento e melanina e ainda em cada camada da pele teremos um depósito de pigmentos endógenos e exógenos. Vejamos que dentre os endógenos citamos por exemplo na Epiderme a própria Melanina, na Derme os capilares subpapilares e mais profundamente vasos de maior calibre, Oxi- hemoglobina e etc.…Ja com relação aos pigmentos implantados teremos a composição de cada cor, e a profundidade e saturação inerentes a cada técnica ou falta de técnica.
Vamos pensar da próxima vez em escolher melhor as cores, vamos pensar sobre aceitar ou não este sub tom? Vamos pensar em nos libertarmos de vez de tanto empirismo? Fazendo uma pequena propaganda aqui, estamos lançando uma série de 3 volumes Micropigmentação sem mistérios, onde no primeiro volume abordamos a Colorimetria básica, mas já iniciamos a desmistificar o sub tom de pele e nos outros avançamos na Colorimetria e Pigmentologia.

Fique ligado aqui no Canal Negócio Estética, não deixe de comentar aqui, que nas próximas edições vamos desenrolar mais um pouco sobre este assunto que tem muito o que ser dito!

Referências 

Alchorne MMA, Abreu MAMM. Dermatologia na pele negra. An. Bras. Dermatol. 2008; 83(1):7-20.
JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia Basica. 9.
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.
Stamatas GN, Kollias N. Blood stasis contributions to the perception of skin pigmentation. J Biomed Opt. 2004 9(2):315-22.

Zonios G, Bykowski J, Kollias N. Skin Melanin, Hemoglobin, and Light Scattering Properties can be Quantitatively Assessed In Vivo Using Diffuse Reflectance Spectroscopy. J Invest Dermatol 2001 117, 1452-1457

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