Mitos e verdades sobre criofrequência

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Às vezes me impressiono com o poder da mídia em induzir opinião sobre produtos. O caso mais recente é o da “criofrequencia”. Não acho errado o marketing fazer uso de um termo para desenvolver a campanha publicitária, o que incomoda é ver como algo que já existe há anos ser tratado como “novidade”.
Desde que a tecnologia que usa radiofrequência para fins estéticos foi desenvolvida, existem equipamentos que exploram essa hipótese “uso simultâneo ou alternado de frio/calor”.

Antes de desmistificar o conceito gradiente frio/calor, é importante ressaltar que temos duas linhas distintas de radiofrequência: uma que usa campo eletromagnético, que aquece por rotação de moléculas de água e íons, portanto de dentro para fora. Essa modalidade usa óleo somente para deslizar o aplicador e deriva de equipamentos usados na reabilitação conhecidos por Ondas Curtas. Para não interferir na radiocomunicação, sua fabricação segue normas técnicas que permitem a uso de faixas de frequências específicas (13,56 MHz; 27,12 MHz e 40,68 MHz).  A outra modalidade de radiofrequência é denominada resistiva, aquece por resistência à passagem de corrente e aquece de fora para dentro. Necessita de meio de condução, geralmente gel neutro ou uma mistura de gel e glicerina e deriva do Bisturi Elétrico.
Conclusão: são energias diferentes, interagem com o tecido de forma diferente e dão resultados diferentes, apesar de tudo ser radiofrequência.

Desde a criação destas tecnologias, alguns equipamentos já usam mecanismos de resfriamento associados.

Accent (Alma Lasers): frequência de 40,68 MHz e potência de 120 W. Possui no aplicador bipolar com sistema de cooling para resfriar a superadiofrequênciaície da pele enquanto o campo eletromagnético age sobre o tecido aquecendo.
ANVISA no. 80336740003
Manual disponível em:
http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/REL/REL[22408-1-18380].PDF

Hooke (Ibramed): frequência de 27,12 MHz e potência de 120 W.  Possui aplicador cooling para uso antes e após a aplicação. O uso isolado de calor e frio permite usufruir de todo potencial das altas temperaturas (40 – 42°C/tempo 7 a 10 min por área) e indução de choque térmico.
ANVISA no. 10360310034
Manual disponível em:
http://www.ibramed.com.br/wp-content/files_mf/1426108304hooke_3_1210.pdf

O BHS156 (Body Health) usa frequências baixas (resistiva) de 0,5 MHz/0,8 MHz/1 MHz e potência de 100 W. Possui aplicador que atua simultaneamente com radiofrequência e cooling.
ANVISA no. 80832479001
Manual disponível em: http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/REL/REL[41276-1-13805].PDF

O fato de a campanha publicitária usar o termo criofrequência não faz da tecnologia algo tão inovador assim.  Importante ressaltar que a aplicação de frio simultâneo com uma energia que produz calor como a radiofrequência possivelmente produz como resultante um gradiente: frio – temperatura intermediária (morno) – quente (figura 1). Para que o choque térmico ocorra, faz muito mais sentido criar estímulos distintos. Primeiro frio seguido de radiofrequência (tempo/temperatura adequados) e finalização pelo frio (figura 2).

Figura 1. Gradiente de temperatura: observar região intermediária (morno). Nessa região é possível obter uma média de temperatura, lembrando que se trata de tecido biológico e que essa dinâmica sofre interferência do fluxo sanguíneo local.

estela 1

 

estela 2

Figura 2. Tratamento Hooke: A, antes do cooling, temperatura ambiente; B, imediatamente após 2 min do cooling; C, imediatamente após 10 min de radiofrequência monopolar e D, após 2 min de cooling.

 

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