Microagulhamento: a eficácia do processo de cicatrização

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microagulhamento
Arquivo Molior

As poderosas microagulhas que caíram no gosto dos profissionais da estética nos últimos anos já vinham sendo usadas desde 1980, pelo Dr. Philippe Simonin, que desenvolveu a técnica chamada de eletroridopuncture (ERP), para tratar rugas e cicatrizes de forma eficaz. Nos anos 90 outros profissionais aderiram a pratica de micropunturas a fim de promover o rejuvenescimento facial e melhorar a aparência de lesões cicatriciais. Diferentes formas de causar microlesões na pele foram praticadas até que o Dr André Camirand, em 1995, desenvolveu um dispositivo circular, cravejado com microagulhas, para aplicação da técnica de microagulhamento. Com essa facilidade a técnica foi ganhando cada vez mais admiradores, dos quais podemos citar os Drs. Des Fernandes e o Dr. M. Schartz, que publicaram algumas contribuições mostrando a efetividade do tratamento.

A popularização veio juntamente com a necessidade, observada pelos profissionais, de apresentar aos pacientes tratamentos menos agressivos e com menor tempo de recuperação. Esta necessidade, associada ao fato de que a técnica apresenta significativos resultados no rejuvenescimento facial e no tratamento de cicatrizes, oferecendo grande segurança aos pacientes, e ainda, podendo ser aplicada em qualquer fototipo e em distintas regiões do corpo, fizeram do microagulhamento um tratamento amplamente conhecido e muito praticado no ramo da medicina estética.

A eficiência e a rápida recuperação desta técnica são assuntos amplamente disseminados, mas o porquê de o processo de cicatrização deste procedimento acontecer de forma rápida e eficaz, apesar das milhões de microlesões provocadas, só foi descrito em 2006 por Min Zhao et al. Ele mostrou que ao causar pequenas lesões, com padrão de distância regular, fragmentos de epiderme íntegra são mantidos e estes fragmentos são responsáveis por gerar um campo elétrico capaz de facilitar a migração das células responsáveis pelo processo de cicatrização até o centro do ferimento.

Diferenças de potencial elétrico podem ser observadas em todas as células do corpo devido a presença de íons com diferentes cargas, nos meios intra e extracelulares, originando correntes elétricas através da movimentação destes íons no líquido intracelular. E a corrente formada pelas células que compõem a derme, são responsáveis por estimular a proliferação e migração das células no processo de cicatrização.

A derme e o extrato córneo possuem cargas distintas, sendo que o extrato córneo apresenta carga negativa em relação a derme, com uma diferença de potencial em tono de 23mV. Quando a pele sofre algum tipo de lesão, íons carregados positivamente migram da derme para epiderme, formando uma corrente até o centro da ferida. O que acontece através da atividade da bomba de sódio/potássio nas células da epiderme, e se deve a diferença de voltagem entre a lesão e a pele íntegra. Essa corrente gerada até o centro do ferimento orienta a migração das células responsáveis por fazer a regeneração do tecido danificado.

O que nos leva ao entendimento de que os sinais elétricos controlam o processo de cicatrização, e quando uma pequena porção da epiderme permanece intacta é possível favorecer a formação de um campo elétrico uniforme e potente, tornando o processo de cicatrização mais eficiente.

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