Menos de 1 dia na pele

Ácido hialurônico molécula chave

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Por Maria Inês Vilhena

É apreciado que as moléculas da ECM (Matriz extracelular) que se encontram entre as células, além de proporcionarem uma estrutura construtiva, exercem efeitos importantes na função celular, estas moléculas apesar de parecerem amorfas por microscopia óptica, formam uma estrutura altamente organizada, compreendendo principalmente GAGs, fatores de crescimento e proteínas estruturais tais como colágenos, no entanto, o componente predominante da ECM da pele é o ácido hialurônico.

Função biológica da HA

As funções do HA incluem: hidratação, lubrificação das articulações, capacidade de enchimento do espaço e a estrutura através da qual as células migram, sua síntese aumenta durante lesão tecidual e cicatrização de feridas, regula vários aspectos da reparação tecidual, incluindo a ativação de células inflamatórias para aumentar a resposta imunológica e a resposta à lesão de fibroblastos e células epiteliais.

Com uma taxa de rotatividade dinâmica, tem uma meia-vida de 3 a 5 minutos no sangue, menos de 1 dia na pele, 1 a 3 semanas na cartilagem, o HA é degradado em fragmentos de tamanho variável por hidrolização (hialuronidases HYAL), ainda pode ser degradado não enzimaticamente por um mecanismo de radicais livres na presença de agentes redutores tais como ácido ascórbico, tióis, íons ferrosos ou cuprosos, um processo que requer a presença de oxigênio molecular.

O envelhecimento prematuro da pele é o resultado da exposição repetida e estendida à radiação UV, aproximadamente 80% do envelhecimento da pele facial é atribuído à exposição à radiação UV, pesquisas demonstraram que apenas 5 min de exposição à radiação UV em camundongos nude causaram aumento da deposição de HA, indicando que a radiação UV induzida por danos na pele é um evento extremamente rápido.

O conteúdo de HA da derme é significativamente maior que o da epiderme, enquanto a derme papilar tem níveis muito maiores de HA do que a derme reticular, estando de conformidade derme e o HA; continuidade com os sistemas linfático e vascular, na derme regula o balanço hídrico, a pressão osmótica e o fluxo iónico e funciona como peneira, excluindo certas moléculas, aumentando o domínio extracelular das superfícies celulares e estabilizando as estruturas da pele por interações eletrostáticas.

A vermelhidão inicial da pele após a exposição à radiação UV se deve a uma leve reação edematosa induzida pela deposição de HA melhorada e pela liberação de histamina, portanto exposições repetidas e extensas a UV simula, em última instância, uma resposta típica de cicatrização de feridas com a deposição de colágeno de tipo I semelhante a uma cicatriz, em vez da habitual mistura de colágeno dos tipos I e III, que proporciona flexibilidade a pele pois agem como “cordas de sustentação”.

O fotoenvelhecimento resulta em conteúdo e distribuição de GAGs anormais em comparação com aquelas encontradas em cicatrizes ou na resposta de cicatrização de feridas e com HA diminuído e níveis aumentados de proteoglicanos de sulfato de condroitina, em fibroblastos dérmicos esta redução na síntese de HA foi atribuída ao colágeno que ativam as integrinas αvβ3 e, por sua vez, inibem a sinalização da Rho quinase e a translocação nuclear de fosfoERK, resultando numa expressão de HAS-2 reduzido.

Recentemente, foram desvendados algumas das alterações bioquímicas que podem distinguir o fotoenvelhecimento e o envelhecimento natural.

Utilizando espécies de tecido cutâneo humano fotoexpostos e fotoprotegidos, obtidos a partir do mesmo paciente; mostrou-se um aumento significativo na expressão de HA de menor massa molecular em pele fotoexposta, em comparação com a pele fotoprotegida, este aumento do HA degradado esteve associado a uma diminuição significativa na expressão de HAS-1 (Ácido hialurônico sintases 1), e a uma expressão aumentada de HYAL-1, -2 e -3 (Hyaluronidases) além disso, a expressão dos receptores HA CD44 (CD44 cluster de diferenciação), e RHAMM foi significativamente downregulation (diminuição celular do número de receptores para uma determinada molécula) em fotoexposição, em comparação com a pele fotoprotegida, esses achados indicam que a pele exposta e, portanto, o envelhecimento extrínseco da pele, é caracterizada por uma homeostase distinta do HA.

Também foram avaliadas espécies de tecido cutâneo fotoprotegidos de adultos e pacientes jovens e observaram que o envelhecimento intrínseco da pele estava associado a uma redução significativa no conteúdo de HA e downregulation de HAS-1, HAS -2, CD44 e RHAMM (Receptor de RHAMM para motilidade mediada por HA), resultados semelhantes para pele fotoprotegida também foram relatados para ambos os sexos para HA, HAS-2 e CD44.

Compreender o metabolismo de HA nas diferentes camadas da pele e suas interações com outros componentes facilitara a capacidade de modular a umidade da pele de forma racional.
Referência:
-Narurkar VA. Rejuvenating Hydrator: Restoring Epidermal Hyaluronic Acid Homeostasis With Instant Benefits, J. Drugs Dermatol. 2016 Jan;15(1 Suppl 2): s24-37.
-Papakonstantinou E. Hyaluronic acid: A key molecule in skin aging, Dermatoendocrinol. 2012 Jul 1;4(3):253-8. doi: 10.4161/derm.21923.

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