Filtros físicos e químicos: saiba o quanto essa informação importa no seu protetor solar!

Dermatologista explica a diferença entre filtro físico (inorgânico) e químico (orgânico) no protetor solar. Bloqueando ou transformando a radiação, os filtros estão presentes nas formulações e cada um age de uma forma.

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Geralmente, ao escolher um protetor solar, o consumidor é guiado pelo número do FPS. Mas na formulação de um fotoprotetor, dois tipos de filtros podem ser encontrados: os orgânicos (químicos) e os inorgânicos (físicos). A dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, explica as atuações diferentes e, no caso das crianças, a indicação específica:
Filtros químicos: “Os filtros solares químicos fazem uma defesa filtrando os raios nocivos, ou seja, há uma transformação química da energia da radiação ultravioleta e a energia de baixa intensidade que atinge a pele não traz os malefícios da radiação que é potencialmente cancerígena, e com isso protege a pele também da queimadura”, explica a Dra. Claudia. A radiação quando atinge uma pele protegida pelo filtro químico, acrescenta a médica, é absorvida e sofre um processo de filtração e acaba sendo não muito agressiva, mas isso depende muito do índice que é utilizado.
Filtros físicos: De maneira geral, os filtros físicos são partículas derivadas de metais, ou óxidos metálicos, que atuam através de mecanismos ópticos, refletindo ou dispersando os raios solares. “Os filtros físicos são como uma parede de tijolos onde a luz bate e volta. Não tem absorvência, tem refletância: e com isso há um impedimento de todos aqueles danos cumulativos dos filtros químicos, que são altamente instáveis, já que na sudorese, na água do mar, a molécula fica quimicamente instável e deixa de proteger”, explica. “Os principais filtros físicos são o óxido de zinco, óxido de ferro e dióxido de titânio. A vantagem desse tipo de filtro é que são mais estáveis e penetram pouco na pele, sendo ideais para os pacientes alérgicos e com sensibilidade cutânea elevada”, conta.
Físico x químico: “Os filtros solares inorgânicos protegem mais contra a radiação quando ela é potencialmente carcinogênica, principalmente nos dias mais quentes — como o índice de radiação solar está muito alto. Nesses dias, essa radiação pode causar queimaduras sérias, às vezes até de segundo grau, trazendo mutações com o dano cumulativo ao longo das exposições, que na somatória (com o passar dos anos) pode se transformar em lesões como as queratoses actínicas e depois os próprios carcinomas de pele”, conta a dermatologista. “Os raios UVB e infravermelhos furam o bloqueio dos filtros químicos de alguns produtos de fotoproteção e causam dano celular que, em consequência, provoca também flacidez com envelhecimento precoce da pele”, explica.
Inovações: “Com relação ao filtro físico, o dióxido de titânio pode ser uma molécula natural ou micronizada, porque o dióxido de titânio quando aplicado natural deixa o rosto branco. E nas novas formulações com o ativo micronizado, ele fica fluido, quase transparente. Ele pode ser associado também ao óxido de zinco e ao óxido de ferro, então temos filtros físicos que formam uma barreira real sobre a pele, fazendo com que a radiação não seja absorvida, filtrada ou sofra processo de dispersão e sim de reflexão: ou seja, o raio bate e volta”, explica.
Fórmulas robustas: As novas formulações trazem a combinação de filtros químicos e físicos para potencializar o efeito fotoprotetor. “Os filtros solares inorgânicos assim como os químicos devem ser passados quando a pessoa está em exposição ambiental a cada duas horas, mas se houve um mergulho no mar ou na piscina, ele deve ser aplicado imediatamente. Sabemos que a característica do horário é muito importante, então se o paciente está entre 10 e 18h em exposição solar aguda, ele deve reaplicar esse filtro com maior generosidade, formando realmente uma camada filmógena, e com intervalo mais curto de reaplicação principalmente se ele estiver praticando uma atividade física e estiver em exposição ambiental, como na praia”, indica. “No caso das crianças, o melhor é optar sempre por filtros solares adequados com uma nomenclatura pediátrica, ou para crianças. São indicados produtos com filtros solares físicos e inorgânicos”, conta. Isso acontece para que não haja penetração de substâncias químicas na pele.
Afinal, qual FPS? “Os filtros solares hoje, com relação ao novo guideline mundial, nunca devem ser abaixo de 30. O ideal mesmo para pessoas de fototipos mais claros são filtros acima de 50 para áreas nobres como rosto, pescoço, orelha, dorso das mãos e a região do colo”, conta. “Realmente sabemos que na prática aquilo que está no FPS do frasco acaba não sendo aplicado como deveria e aquele filtro que está ali não é o mesmo que está aplicado sobre a pele, porque é aplicado em menor quantidade e não é reaplicado no momento que deveria ser. Então em algum momento, a pessoa fica com uma fotoproteção muito pior, o que pode fazer com que ela sofra queimadura”, finaliza.
Fonte: Dra. Claudia Marçal, Dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School. Holding Comunicação/Jornalista responsável: Guilherme Zanette

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