Efeitos da corrente elétrica de média frequência na redução de gordura abdominal

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A obesidade é um importante fator de risco para várias doenças. As técnicas que empregam eletrotermofototerapia podem reduzir a obesidade e melhorar a aparência facial e corporal. Na pesquisa descrita neste artigo, objetivou-se avaliar os efeitos da estimulação elétrica sobre a tela subcutânea abdominal e o diâmetro do músculo reto abdominal, em mulheres. Face às alterações ocorridas no músculo sob estimulação elétrica, aumenta-se a síntese protéica e o metabolismo, podendo vir a reduzir os adipócitos. Foram estudadas 16 mulheres, de 20 a 35 anos, submetidas a 10 sessões de eletroestimulação, realizadas 3 vezes por semana, em dias alternados. Os parâmetros estimulatórios ajustados continham pulsos de 2500 Hz modulados em 50 Hz, com 10 s de período estimulatório (platô), 2 s para subida e descida e 3 s de período de repouso. Os resultados foram avaliados por meio da ecografia do músculo abdominal, da plicometria e perimetria abdominal. Com a ecografia, avaliou-se o diâmetro do músculo reto abdominal e espessura da camada adiposa nas regiões supra e infra umbilical. O protocolo experimental foi submetido ao Comitê de Ética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e foi aprovado sob o número 0001785/08.
Resultados
A média da espessura da tela subcutânea supra e infra-umbilical antes e depois das sessões de estimulação elétrica apresentou redução. A média da redução da região supra-umbilical foi de 1,51 mm e da região infra-umbilical foi de 1,58 mm. Apesar de a redução ter sido maior na região infra-umbilical (p=0,078), apenas na região supra-umbilical foi estatisticamente significativa, com p= 0,0152.
Com relação às variações do diâmetro supra e infra-umbilical sem contração, não se observa aumento na porção supra-umbilical após a estimulação elétrica. O aumento na secção transversal do músculo reto abdominal na região infra-umbilical é de 0,13 mm; porém, essa diferença não foi estatisticamente significativa.
A diferença na média da plicometria axilar “antes” e “depois” da aplicação foi de 0,77 mm e p= 0,057. A região supra-ilíaca apresentou também um resultado favorável, com uma média de redução de 2 mm; entretanto, apresentou p significativo (p = 0,0376); assim como nas outras regiões, a prega cutânea abdominal apresentou uma redução de 1,9 mm e p = 0,0044.
Por inspeção do gráfico da perimetria, constata-se uma redução de 0,33 cm no perímetro da cintura, o que não denota significância estatística.
Na região abdominal também ocorreu uma redução no perímetro de 0,78 cm e p = 0,0994, e o perímetro infra-abdominal apresentou uma redução de 1,22 cm, com p=0,0072.
As únicas variáveis onde a prática de exercícios teve diferença foi na plicometria axilar média e na abdominal, onde as não praticantes tiveram uma redução significativa em relação às praticantes, com p=0,0043 e 0,0152, respectivamente.
Apesar de a estimulação elétrica produzir uma contração efetiva dos músculos e outros estudos terem obtido bons resultados no aumento da secção transversal do músculo, não foram encontrados resultados no aumento do diâmetro muscular neste estudo.
Entretanto, neste estudo, constatou-se que apesar de não ter ocorrido o aumento da secção transversal do músculo, houve uma redução na espessura do tecido adiposo, tanto na região supra-umbilical quanto na região infra-umbilical.
O uso da estimulação elétrica na região abdominal pode ser utilizado como complemento do treinamento convencional, pois o reforço muscular realizado pela estimulação evita um processo de desgaste biomecânico que pode incorrer em prejuízos anátomo-funcionais, levando em consideração que os exercícios abdominais comprometem os discos intervertebrais quando realizados de forma inadequada. Ademais, os músculos abdominais são importantes na manutenção de uma boa postura e de lordose lombar normal, sendo possível o uso da estimulação elétrica como recurso terapêutico auxiliando no tratamento e prevenção de patologias da coluna lombar que acometem grande parte da população em geral.

Referências
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