Discromias corporais: você sabe diferenciar e tratar?

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Uma das queixas mais comuns em relação às desordens corporais são as hipercromias, que podem afetar virilhas, axilas, membros inferiores especialmente às regiões próximas aos pés. Os tratamentos costumam associar peelings físicos e químicos e na grande maioria das vezes costuma dar bons resultados.
Infelizmente a falta de conhecimento de alguns profissionais em dermatoses leva ao fracasso no tratamento de alguns casos, um deles é a conhecida doença de Schamberg ou alterações causadas pela hemossiderina e a ferritina.
A doença de Schamberg, descrita pela primeira vez em 1901, é dermatose pigmentar progressiva de curso crônico, caracterizada por máculas castanho-avermelhadas irregulares associadas a petéquias com aspecto semelhante ao de grãos de pimenta-de-caiena. São assintomáticas e geralmente afetam os membros inferiores, mas podem acometer o tronco e membros superiores. (Torrelo, 2003). Parece uma simples hipercromia pós inflamatória, mas não é.

De causa desconhecida ela possui alguns fatores desencadeantes tais como hipersensibilidade a drogas, dermatites de estase, de contato. Segundo Tullir (2001) as manchas são consequência do depósito de hemossiderina associado à hiperpigmentação melânica, pois se acredita que haja ativação melanocítica secundária à deposição de pigmento férrico na derme. Foi sugerido que a agressão vascular e o estravazamento de hemácias seriam secundá-rios às reações imunológicas com mediação celular
Por ser uma desordem pigmentar de origem férrica o tratamento não é efetivo com os despigmentantes tradicionais sendo o ácido tioglicólico a melhor opção ao tratamento. Esse ácido pode ser manipulado, geralmente a 10% e aplicado a cada 7 ou 15 dias mediante avaliação, seriado e é considerado seguro e eficaz para essas manchas.
A literatura recomenda uma aplicação semanal, de 5 a 6 sessões, em gel e em geral não provoca sensibilizações ou ardência sendo bem tolerado pelos clientes. O grande problema do mesmo é o odor de enxofre que costuma incomodar os profissionais que aplicam e os pacientes, porém o resultado compensa esse fator.
Por ser uma doença crônica, recomenda-se a continuidade do tratamento sempre que as lesões apareçam e isso deve ser explicado bem ao cliente.
Lembre-se nem toda mancha trata da mesma forma, é preciso uma boa anamnese para descobri a causa, o agente causador e dessa forma escolher o tratamento adequado e só assim terá sucesso no tratamento.
As famosas receitas de bolo não funcionam para todos os casos. Estudar e se aprimorar é sempre o melhor caminho. Antes de se aventurar em passar ácidos nos clientes é imprescindível estudar os tipos de hipercromias corporais e você verá que há muitas outras coisas a aprender.
Sucesso a todas!

Referências
Torrelo A, Requena C, Mediero IG, Zambrano A. Schamberg’s purpura inchildren: a review of 13 cases. J Am Acad Dermatol. 2003; 48(1):31-3.
Smoller BR, Kamel OW. Pigmented purpuric eruptions: immunopathologic studies supportive of a common immunophenotype. J Cutan Pathol. 1991;18:423-7.
TulliR, Izzo M. El papel del ácido tioglicólico em las pigmentaciones férricas. Rev Panam Flobol Linfol. 2001;41(2):57-63.

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