Cosméticos com parabenos e os seus efeitos no organismo

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Falar da presença de parabenos em produtos cosméticos, seus efeitos nos tratamentos estéticos e para a saúde de um modo geral, sempre gera opiniões controversas, porém é um assunto muito importante e toda informação é válida para que você profissional da saúde estética possa avaliar. Quando você vai escolher um produto cosmético para realizar o tratamento estético em seu cliente, você analisa uma série de fatores, como por exemplo: se o produto é realmente indicado para aquela alteração, a validade, se é registrado, quais os ativos que estão presentes na formulação e qual a dosagem de cada um, a sinergia da composição, a base cosmética para saber a quais outros recursos pode associar o protocolo, as contraindicações, e por aí vai. Só que tem um aspecto que é fundamental, mas que muitos acabam deixando de lado, que é verificar se o cosmético contém alguma substância que possa fazer mal para nosso cliente e até mesmo para nós, que estaremos aplicando aquele produto.

Essa é a importância do que no mercado chamamos de bases biocompatíveis. Elas compõem a estrutura inicial, digamos assim, de um produto cosmético, e reúnem cada ingrediente que irá formar o todo. As bases biocompatíveis recebem esse nome porque se assemelham à nossa pele, ao nosso manto hidrolipídico, e por isso apresentam melhores resultados, pois são melhores “aceitas” quando aplicadas na pele. Para que sejam biocompatíveis, essas bases cosméticas devem ser livres de óleo mineral, parafina, parabenos, propilenoglicol e conservantes liberadores de formol, oferecendo essa segurança.

O óleo mineral, derivado do petróleo, não possui valor nutritivo, não é absorvido pela pele e não promove hidratação, pelo contrário, tem ação comedogênica. Existem na literatura vários artigos que comprovam os malefícios do óleo mineral. Com relação aos riscos para os indivíduos constantemente expostos ao óleo mineral, como os profissionais de saúde estética, foi comprovado que estes possuem uma maior predisposição de apresentarem o anticorpo fator reumatoide positivo, que está relacionado a várias doenças de caráter reumático, e que eles possuem um risco aumentado de desenvolver artrite reumatoide.

Esse risco é ainda maior quando o indivíduo possui um genótipo que favorece esse tipo de predisposição e quando o indivíduo é exposto simultaneamente a outros agentes ambientais (fatores epigenéticos) que induzem artrite reumatoide, pois sabe-se que o óleo mineral está presente em vários produtos do nosso dia-a-dia, não sendo restrito apenas a cosméticos. Para identificar sua presença em um produto verifique sempre a descrição completa da formulação dos ingredientes no rótulo. Se constarem as palavras mineral oil, paraffin oil ou paraffinum liquidum (petrolato), o produto terá sua eficácia diminuída, pois contém óleo mineral, agente notadamente tamponante.

O propilenoglicol possui grande capacidade alergênica e irritativa, além de ser o responsável por desencadear reações cutâneas como dermatite de contato irritativa, dermatite de contato alérgica, urticária de contato e irritação subjetiva. Quando ocluídos, os cosméticos contendo propilenoglicol têm suas capacidades irritativas aumentadas. Os liberadores de formol são outra classe de substâncias prejudiciais para a saúde. São altamente capazes de induzir reações alérgicas, principalmente em trabalhadores constantemente expostos a essas substâncias como esteticistas, massagistas, cabeleireiros, entre outros.

Já no caso dos parabenos, para os que buscam embasamento científico para defender seu posicionamento, estudos mostram que os parabenos, além de potencial alergênico e efeito estrogênico, apresentam ação uterotrófica, ou seja, podem apresentar efeitos tóxicos sobre o sistema endócrino, interferindo com a regulação hormonal e o sistema reprodutor. Estudos com biomarcadores para substâncias químicas com atividade estrogênica comprovaram o potencial estrogênico dos parabenos no organismo. Esse composto pode se ligar tanto em receptores de estrógeno quanto de progesterona, ativando esses receptores para induzir suas atividades estrogênicas, mas existem pesquisas que mostram que os parabenos também são capazes de inibir enzimas que metabolizam o estrogênio, aumentando a atividade desse hormônio no corpo.
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos avaliou 8 produtos cosméticos que continham parabenos em sua formulação, e como resultados, os autores encontraram que 6 apresentaram atividade estrogênica. Também foi mostrado que a exposição aos parabenos está associada a riscos maiores de alterações no ciclo menstrual, na fertilidade e na predisposição a cânceres de origem hormonal, sendo que o maior grupo de risco são as crianças, pois nesta fase os níveis de estrogênio ainda estão baixos, portanto, ao receberem esse estímulo precoce oriundo dos produtos contendo parabenos, aumentam-se as chances de desenvolvimento sexual feminino prematuro e ginecomastia em meninos. Ademais, os riscos não envolvem apenas alterações endócrinas, pois existem células de câncer de mama que são altamente responsivas a estrógeno, e estudos mostram que os parabenos, por se comportarem como estes hormônios, também são capazes de induzir a proliferação dessa linhagem celular cancerígena.

É por essa razão que os parabenos são totalmente contraindicados em tratamentos estéticos como de clareamento de pele (manchas), acne e celulite. Como os parabenos têm ação semelhante à do hormônio feminino estrogênio, e em alguns casos esse hormônio é responsável pelo aparecimento dessas alterações estéticas, é que não se deve usar produtos cosméticos com a presença de parabenos, pois é como se você estivesse tratando o problema com o que na verdade provoca a sua causa.
Existe ainda uma possível ligação entre a ação do estrogênio e o câncer de mama. O alerta é do Ministério da Saúde que tem reforçado em suas campanhas o fato de que a exposição ao estrogênio por tempo prolongado aumenta o risco de desenvolver câncer de mama, sendo que apenas de 5% a 10% dos casos desse tipo da doença estão ligados à herança genética familiar. A maioria dos casos realmente está relacionada à exposição a fatores de riscos, entre eles os hormonais, comportamentais e ambientais.

E se estudos comprovam que no organismo os parabenos se comportam como o estrogênio, provocando os mesmos efeitos nocivos, por questões de segurança e prevenção, nossa indicação é riscar do seu dia a dia qualquer produto que tenha parabenos em sua formulação. Para identificar a presença desse componente procure nas indicações de ingredientes no rótulo dos produtos por: methylparaben, propylparaben, ethylparaben, isobutylparaben, butylparaben, benzylparaben e isopropylparaben, se essas palavras estivem presentes, NÃO UTILIZE O PRODUTO. Algumas opções de conservantes já adotadas pelo mercado e que substituem os parabenos são o phenoxyethanol, methylisothiazolinone, caprylyl glycol, potassium sorbate.

Fique de olho: cosméticos somente livres de parabenos e com bases biocompatíveis.

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