Cafeína e a lipólise

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O adipócito, célula que armazena gordura, é composto basicamente de colesterol (20%) e triglicerídeos (80%). Os triglicerídeos são compostos de ácido graxo e glicerol, e quando adquirimos, por meio da alimentação, mais energia do que gastamos diariamente, o adipócito começa a armazenar essa energia, e graças a receptores que temos no corpo, em uns lugares mais e em outros menos, resultando no acumulo de gordura.
A gordura localizada é o acumulo regionalizado da gordura corporal e não traz riscos à saúde. Diferente da obesidade, que é o acumulo generalizado da gordura corporal e traz riscos à saúde.

Nos tratamentos estéticos, são utilizados recursos, para que a quebra da gordura seja feita, dessa forma os triglicerídeos são quebrados em ácido graxo e glicerol, e esse por sua vez deve ser gasto, com atividade física, caso contrário eles se juntam novamente e se transformam em triglicerídeos, gerando um novo acumulo no adipócito.
Então foca-se na utilização de cosméticos com ativos com os seguintes mecanismos de ação: inibir a adipogênese, inibir lipogênese e estimular a lipólise, para que dessa forma combata a gordura localizada.
Em especial existe um ativo muito interessante e usado, a cafeína, que é um estimulante da lipólise, e o qual trataremos um pouco mais.
A cafeína é um ativo muito conhecido dos esteticistas, sendo um inibidor da fosfodiesterase, que é a enzima responsável pela via negativa de metabolismo lipídico. Em uso tópico inibe a ação da fosfodiesterase aumentando a concentração de adenosina monofosfato cíclica (AMPc), que é um mensageiro secundário celular, sendo uma molécula importante na transdução de sinal (processo o qual uma célula converte um tipo de sinal ou estimulo em outro) em uma célula, o que irá estimular a enzima lípase e obter a quebra do triglicerídeos. Possui também ação de estimulante da microcirculação.
Foi feito um estudo por Lupi et al, onde foi utilizado cafeína a 7% por 30 dias, os resultados mostraram uma redução de 2,1cm na circunferência das coxas em mais de 80 pacientes. Velasco et al realizaram uma análise histológica dos efeitos da cafeína no tecido gorduroso de camundongos, e o resultado foi de redução de 17% no diâmetro dos adipócitos.

Em junho de 2002, a ANVISA estipulou que em cosméticos a cafeína não deve ultrapassar a concentração de 8%, é mais segura e mais utilizada na concentração de 1 a 2%, e o cosmético é considerado de grau de risco 2, pois apresentam um risco potencial e têm indicações de segurança e a eficácia e as informações referentes a forma de uso e restrições. Por isso seu uso deve ser orientado por um esteticista habilitado.

Referências

Livro: Entendendo cosmecêuticos – Diagnóstico e tratamento. Sara Vanzin e Cristina Camargo
Livro: Cosmetologia aplicada. Simone Pires
Livro: Tratado internacional de cosmecêuticos. Adilson costa
Artigo: Mecanismo de ação de compostos utilizados na cosmética para o tratamento da gordura localizada e da celulite. Tuane Krupek; Cecília Edna Mareze da costa.

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