Seroma encapsulado tardio

0
15301

Ultimamente a cirurgia plástica tem alcançado grande divulgação e com o aumento do número de cirurgias e da informação a seu respeito surgiu a necessidade de oferecer a estes pacientes novas formas de suportar melhor e com mais qualidade o pós-operatório e evitar possíveis complicações. Para tal objetivo, fez-se necessária a integração de profissionais em uma equipe multidisciplinar, a fim de alcançar melhores resultados e o fisioterapeuta passou a fazer parte desta equipe, contribuindo de forma a oferecer tratamentos conservadores das complicações, evitando possíveis cirurgias corretivas.

Uma das complicações frequentes na cirurgia plástica é o seroma. Ele pode ser definido como uma coleção líquida, de características exsudativas, formada profundamente ao retalho dermogorduroso. Os mecanismos postulados para sua formação são a secção de numerosos canais linfáticos, espaço morto decorrente do extenso descolamento do retalho dermogorduroso, forças de cisalhamento entre o retalho e a aponeurose e a liberação de mediadores inflamatórios. Sua constituição na fase inicial do pós-operatório é liquida e ele pode ser removido por punção aspirativa, mas quando não diagnosticado ou tratado adequadamente, pode evoluir para formação de uma cápsula fibrosa ao seu redor, denominada pseudobursa. Esta cápsula pode sofrer um processo de contração, evoluindo em alguns casos com deformidade da parede abdominal, sendo, em muitos casos, necessário o tratamento cirúrgico corretivo. Dentro desta capsula, o conteúdo liquido e proteico transforma-se em gel após algumas semanas, dificultando sua aspiração.  Neste momento, tentativas com aplicações de corticoides podem ser bem sucedidas ou não, resultando também em deformidades em alguns casos.

Clinicamente, numa fase tardia, o seroma se apresenta como uma fibrose de aspecto “esponjoso” devido a maior presença de colágeno tipo III em relação ao tipo I, o que dificulta sua absorção com métodos de tratamento tradicionais da fibrose como a radiofrequência,  o ultrassom de 3 MHZ e a massagem do tecido conjuntivo.

A ultrassonografia tem sido o método de escolha para o diagnóstico de seroma pós cirúrgico, principalmente em fases tardias, quando o seroma encapsulado pode ser confundido, durante a inspeção e palpação,  com um processo de fibrose.

Em virtude da atuação da fisioterapia Dermato funcional no pós-cirúrgico ser fundamentada em conceitos científicos, o tratamento do seroma encapsulado baseia-se no acompanhamento ultrassonográfico da evolução do quadro clínico e utilização, para seu tratamento, de um ultrassom de alta potência, os ultracavitadores, equipamentos capazes de atingir a região a ser tratada de forma mais focalizada e efetiva.

A ultracavitação é um ultrassom capaz de realizar a formação de bolhas na zona intersticial do tecido conjuntivo que implodem provocando ondas de choque que ferem seletivamente as membranas dos adipócitos e libertam a gordura armazenada. Como o ultracavitador se trata basicamente de um equipamento de ultrassom, seu efeito tixotrópico é efetivo e pode gerar a mudança da estrutura “gel” para liquida, facilitando sua absorção. Este mecanismo não está claramente descrito na literatura por se tratar de uma tecnologia nova, ainda carente de estudos.

Em nosso serviço de assistência ao paciente em pós-operatório de cirurgia plástica, temos utilizado o ultracavitador de alta frequência (3MHZ), com 30W de potência e em 70 % de emissão, obtendo resultados bastante satisfatórios. Os exames de ultrassonografia abaixo comprovam os resultados.

patriciafroes

 

 

 

 

 

patriciafroes2

 

 

 

 

 

 

LEGENDA: As setas indicam o seroma encapsulado em gel. Na segunda foto ele não aparece, apenas a fibrose persiste.

Referências:

Meyer et al.Quantitative and qualitative analysis of collagen types in the fascia transversalis of inguinal hernia patients Arq. Gastroenterol. 2007;44(3):230-234, jul.-set.

Chilson et al.Seroma prevention after modified radical mastectomy, Am Surg. 1992 Dec;58(12):750-4.

Martino, Marcello Di; Nahas, Fábio xerfan; Novo, Neil Ferreira; Kimura, Alexandro Kenji, Ferreria, Lydia Masako. Rev. Bras. Cir. Plást. 2010; 25(4): 679-87. Seroma em lipoabdominoplastia e abdominoplastia: estudo ultrassonográfico comparativo. Rev. Bras. Cir. Plást. 2010; 25(4): 679-87

Noorlander M, Melis P, Jonker a, Noorden CJFV. a quantitative method to determine the orientation of collagen fibers in the dermis. J histochemcytochem. 2002; 50(11): 1469-74.

Jens,UQ; Desilets, c.; Pat Martin, BS. High Intensity Focused Ultrasound. The European Aesthetic Guide Spring, 2010. Fonte: www.euroabg.com. Acesso: 11.04.2011

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here