Otimizando resultados com Iontoforese

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A iontoforese é uma poderosa técnica que o profissional da estética utiliza para otimizar os resultados dos tratamentos estéticos por promover aumento da entrega de ativos funcionais nos sítios ativos indicados.

A melhora nos resultados acontece porque a corrente elétrica galvânica permite que ativos hidrossolúveis com cargas consigam permear através da função barreira do extrato córneo, mesmo que eles tenham peso molecular superior a 500 Daltons, o que não seria possível sem o auxílio da técnica (BOS & MEINARDI, 2000).

Hoje o mercado disponibiliza uma porção de produtos com indicação da associação da iontoforese que acabam gerando dúvidas em como realmente utilizar esta técnica de maneira satisfatória, por isso muitos estudos têm sido conduzidos para identificar quais substâncias são viáveis para esse processo de transferência, além de demonstrar os níveis de penetração, distribuição e efetividade da técnica vencendo a barreira imposta pela pele (PRAUSNITZ & LANGER, 2008).

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Fluxo de eletrorrepulsão.
Fonte: Ciência Hoje ed. 259.

Para entender a indicação da técnica devemos ir mais fundo nos seus 3 mecanismos de ação, sendo o primeiro o mais conhecido que é a eletrorrepulsão, onde , tanto ativos de valência positiva quanto negativa serão liberadas, desde que sejam colocadas sob o eletrodo que apresente a mesma carga elétrica, portanto ativos de valência positiva deverão ser exclusivamente colocadas sob o polo positivo, enquanto os de valência negativa somente no polo negativo, assim a interação ativo/campo elétrico proverá força adicional suficiente para direcionar íons de polaridade semelhante através da pele, como demonstrado na figura 1 (OLIVEIRA, 2005).

O segundo evento a eletroosmose, que é o movimento transdermal de parte do solvente juntamente com os componentes neutros e iônicos nele diluídos. Durante a aplicação de corrente elétrica contínua através da pele verifica-se um fluxo de água do ânodo (polo positivo) para o cátodo (polo negativo), que é conhecido como fluxo eletroosmótico, como demonstrado pela figura 2. (LOW & REED, 2002).

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Fluxo eletrosmótico.
Fonte Ciência Hoje ed. 259
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Esse fluxo induzido eletricamente causa um movimento transdermal de solutos ionizáveis e não carregados eletricamente que estão dissolvidos na solução doadora. No entanto, o fluxo eletroosmótico depende da característica elétrica da membrana sobre a qual está sendo aplicada a corrente (OLIVEIRA, 2005).

O terceiro evento remete a aumento da permeabilidade intrínseca da pele pela aplicação do fluxo elétrico. Durante a iontoforese Barry (2002) observou que a concentração de íons no estrato córneo aumenta e a resistência da pele diminui, aumentando sua permeabilidade durante a passagem do campo elétrico.

Os estudos não indicaram ainda qual seria o mecanismo de ação mais significativo na permeação de ativos funcionais, mas que a somatória deles resulta no aumento da entrega dos ativos funcionais na camada alvo de tratamento.

De maneira geral deve-se seguir o seguinte padrão para os testes:

Primeiramente identificar qual a carga do produto e o eletrodo utilizado na condução, eles devem ser sempre da mesma carga para gerar a eletrorrepulsão.

Depois confirmar qual o pH do seu produto, produto de pH ácido devem conter ativo que geram cargas positivas e serem conduzidos pelo eletrodo positivo, se for um produto alcalino ele deve ter cargas negativas e ser conduzido pelo eletrodo negativo, produtos bipolares comprometem a funcionalidade da permeação.

O tempo de condução dependerá de qual camada se deseja tratar, segundo o estudo desenvolvido por Ferreira (2011) para tratamento da epiderme utilizar uma potência de 0,2 mA por 5 minutos tratando uma região de meia face, para derme manter a carga e aumentar o tempo de tratamento para 10 minutos e para atingir a hipoderme aumentar o tempo de tratamento para 15 minutos.

Outra pergunta que geralmente surge é se a iontoforese pode ser utilizada apenas para ativos ionizáveis, e a resposta é não. Apesar dos resultados serem otimizados para ativos ionizáveis a técnica pode ser utilizada como forma de aumento da permeação de ativos funcionais para os demais ativos também, lembrando sempre de seguir a risca que produtos de perfil ácido são ionizados no polo positivo e ativos de perfil alcalino são ionizados no polo negativo.

Esta poderosa ferramenta pode garantir que o profissional da estética consiga resultados de melhor qualidade em um menor número de sessões, basta ser utilizada da maneira correta.

Referências bibliográficas 

BARRY, B.W. Drug delivery routes in skin: a novel approach. Adv Drug Deliv Rev., v. 54, S31-S40, 2002.

BOS, J.D.; MEINARDI, M.M. The 500 Dalton rule for the skin penetration of chemical compounds and drugs. Exp Dermatol. n. 9, p 165–9, 2000.

FERREIRA, R; FONSECA, F. A. A.  Avaliação da correta ionização na iontoforese com definição de polaridades: influência de cargas e do ph do meio. Cosmetic & Toiletries. v. 23, n. 3, p 106, 2011.

FFO. Futuro de Fármaco no Organismo. Ciência Hoje. ed.259, p 23-7, 2009.

LOW, J.; REED, A. Eletroterapia Explicada Princípios e Pratica. 3. ed. São Paulo: Manole, 2002.

NIRSCHL, R.P.; RODIN, D.M.; OCHIAI, D.H.; MAARTMANN-MOE, C.; DEXAHE- 01-99 Study Group. Iontophoretic administration of dexamethasone sodium phosphate for acute epicondylitis: A randomized, double-blinded, placebo-controlled study. Am J Sports Med., v. 31, p 189-95, 2003.

OLIVEIRA, A. S.; GUARATINI, M. I.; CASTRO, C. E. S. Fundamentação teórica para iontoforese. Ver. bras. fisioter., v. 9, n. 1, p 1-7, 2005.

PRAUSNITZ, M. R.; LANGER, R. Transdermal drug HYPERLINK “http://www.biomedexperts.com/Abstract.bme/18997767/Transdermal_drug_delivery”deliveryHYPERLINK “http://www.biomedexperts.com/Abstract.bme/18997767/Transdermal_drug_delivery”. Nature biotechnology, v. 26(11), p 1261-8, 2008.

 

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